Capítulo 19
Lados Opostos

Ana fica paralisada com as palavras da filha...
  
<Yara> O Bruno... Foi ele que apagou o papai. Ele fez altos planos e escondeu de toda a galera.
<Ana> Você acha que eu vou acreditar nisso? 
<Yara> Claro coroa, eu tô dizendo a verdade.
<Ana> Quem sempre foi o problema da família? Quem se envolveu com drogas? É você, Yara. Você é a ovelha negra.
<Yara> O Bruno é do mau e é muito falso, acredita em mim...
<Ana> Ah, claro... Por que você não diz que foi a Griselda que matou o Carlos Henrique? Ou o Lucas? Quer empurrar a culpa para os outros?
<Yara> Que dose...
<Ana> Yara Ivana, eu já fiz de tudo para te ajudar. Eu sinceramente cansei. Tenho vergonha de ser sua mãe.

  
Yara fica abatida ao ouvir a última frase de sua mãe. E sai correndo de casa...

No hospital, Lucas olha atentamente para a mulher deitada na cama.

<Lucas> O que aquela moça está fazendo ali?
<Geórgia> Olha aqui sua samambaia azul, isso ali é a UTI. Só um vegetal não sabe disso.
<Lucas> Mas, mas qual o nome daquela paciente?
<Geórgia> Eu até poderia olhar no arquivo, mas você é um porco inútil.

  
A enfermeira Geórgia faz uma careta para Lucas, pisa no pé dele e retorna para a recepção.

Enquanto isso, na casa dos Steinberg, Ana entra na cozinha e pede um copo de água para James.

<James> A senhora Griselda acabou de telefonar... Ela disse que a senhora Clara está mesmo grávida.
<Ana> O quê?
<James> É verdade... 
<Ana> O que ainda falta acontecer hoje? Um incêndio nesta casa? O enfarte da Griselda? Um pedido de casamento?
<James> Não sei senhora...
<Ana> Mas esta gravidez é muito estranha... A Clara sempre foi minha menininha...
<James> Talvez a senhora Clara não seja nenhuma santa. Ela pode disfarçar seu real caráter para ter a atenção de todos...

No hospital, Bruno e Alexandre chegam na sala de recepção preparados para fazer o exame de DNA.

<Geórgia> O que vocês querem aqui seu bando de executivo falido?
<Alexandre> Bem, a gente veio fazer um exame de DNA...
<Geórgia> É pro barbudo grisalho com cara de ladrão ou pro engomadinho com casaco de colégio público?
<Bruno> É para nós dois. Quero saber se ele é meu pai.
<Geórgia> Vocês tem cara de que dão gorjeta, vou encaminhá-los para a sala de exame...

No mesmo instante, Lucas entra na sala e caminha até Bruno...

<Lucas> Chefinho, eu vi uma pessoa aqui internada no hospital e...
<Bruno> E eu pensei que você havia desabado junto com o prédio.
<Lucas> Mas eu vi que ela tá lá na UTI e...
<Bruno> Eu não tenho tempo para suas besteiras agora.
<Lucas> Mas a Dona...
<Bruno> Eu estou com pressa, vai encher o saco de outra pessoa.

No jardim do hospital, Griselda conversa com Clara...

<Griselda> Clara, você sempre foi minha neta preferida... Eu adorava quando você passava férias no meu sítio...
<Clara> Hihihi... Eu corria atrás das galinhas...
<Griselda> Sabe, eu te ensinei a construir a casa na árvore, a queimar folhas com a lente... E a mentir sobre o incêndio na casa da árvore...
<Clara> Eu também adoro suas estórias dos livros que vem de brinde com as coisas...
<Griselda> A gente é bem unida, não é mesmo? Então conta pra vovó, como este bebê foi parar dentro de você?
<Clara> Ai vó... Eu não sei... Pensei que a cegonha trazia as crianças...
<Griselda> Mas precisa ter alguma explicação. Como isso foi acontecer?
<Clara> Vó, eu não tenho idéia. Sou uma menina ainda, não conheço todas as coisas do mundo...

Enquanto isso, na recepção do hospital, Lucas percebe que a enfermeira Geórgia ainda não retornou. Ele tem uma idéia e vai rapidamente até a sala de arquivo... Lucas abre as gavetas e procura a ficha da paciente que está na UTI. Ele folheia rapidamente os papéis e acaba encontrando... O nome dela é "Dolíria de Oliveira". No mesmo momento, Geórgia aparece na sala, pega um chicote na mesa e bate nas nádegas de Lucas.

<Geórgia> O que você está mexendo aí seu animador de velório?
<Lucas> Eu... Eu estava procurando a ficha daquela paciente da UTI.
<Geórgia> Ah, pensei que você estava fuçando a gaveta dos meus brinquedinhos.
<Lucas> Quando esta paciente Dolíria entrou aqui no hospital?
<Geórgia> Eu não me lembro. Vai pro inferno.
<Lucas> O inferno já deve estar lotado com as outras pessoas que você mandou pra lá.
<Geórgia> Então cai fora daqui antes que eu te prenda no armário de remédios.

Lucas fica assustado e sai rapidamente. Ele pensa melhor e acaba percebendo que Dolíria deve ser uma das irmãs de Dóris. Por isso são tão parecidas.

Na pracinha, Yara reencontra sua turma... Ela ainda permanece triste com as palavras da mãe e tenta conversar com seus amigos.

<Yara> Pô cambada, minha própria coroa não acredita mais em mim...
<Pedrinho> Soh...
<Yara> O que eu fiz para merecer isso? Será que o fozó do Bruno vai se dar bem outra vez nesses fuá?
<Sandrinha> Soh...
<Yara> Eu sei que fiz muita coisa ferrada... Fugi das clínica que me internaram, fiz balada no velório do papai, fui presa, invadi o cafofo do Alexandre e ainda fingi ser a Clara...
<Zezinho> Soh...
<Yara> Mas eu já devo ter pagado meus pecado naquele manicômio...
<Mariazinha> Soh...
<Yara> Ah, vocês sempre tem as palavra certa na hora certa. Tenho orgulho da minha gangue.

Na casa dos Steinberg, Bruno encontra sua mãe. Ele pensa em comentar com ela sobre o teste de paternidade, mas resolve manter tudo em segredo.

<Ana> Olá meu filho. A Yara apareceu aqui e disse que você matou o Carlos Henrique.
  
Bruno fica branco da cabeça aos pés. A respiração pára por alguns segundos.
  
<Ana> Mas é claro que isso é mais uma sandice da Yara. Olha a que ponto a garota chegou... Ela adora inventar mentira...
<Bruno> Ufa, quer dizer, com certeza...
<Ana> Ninguém mais deve acreditar nela, nem as onças...
<Bruno> Mãe, eu tomei uma decisão e quero seu apoio para a herança retornar para nossa família...

No jardim do hospital, Lucas encontra Clara e Griselda...

<Lucas> Eu não sei o que dizer... Então... Clara, alguma novidade no útero?
<Griselda> O médico confirmou que minha netinha está grávida de três meses.
<Lucas> Três meses? Mas a gente se conhece há bem menos tempo..
<Clara> Hihihi, eu lembro quando me assustei com você no velório do papai.
<Lucas> Então você me traiu antes mesmo de me conhecer?
<Clara> Seu bobalhão, hihihi...
<Lucas> Você prefere que o bebê seja menino ou menina?
<Clara> Tanto faz, desde que seja humano...
<Lucas> Bem... Mas somos irmãos e não podemos ficar juntos...
<Clara> Mas eu gosto tanto de você Lucas...
<Lucas> Eu também te adoro Clara. Mas às vezes a vida é injusta. Eu acho melhor a gente não se ver mais... Meu coração está partido. Só assim a gente vai conseguir esquecer o outro...

  
Lucas olha profundamente nos olhos de Clara, se despede e vai embora, sumindo com a linha do horizonte. A garota vê as flores do canteiro do hospital e começa a chorar muito. Griselda abraça forte a neta.

Na casa dos Steinberg, Bruno sobe as escadas decidido e encontra Jhacy no quarto principal.

<Jhacy> Oi meu amor... Cadê a Ana? Já arrumei um cobertor esburacado para ela dormir no sofá da sala...
<Bruno> Minha mãe deve estar lá embaixo...
<Jhacy> Ah, eu pensei que ela tinha pego a vassoura para dar uma volta.
<Bruno> Mas eu quero te fazer um pedido muito especial.
<Jhacy> Tudo bem, eu prometo que coloco silicone.
<Bruno> Não é isso... Eu queria te pedir em casamento.

  
Jhacy fica muito surpresa. Ela abre um grande sorriso.
  
<Jhacy> Mesmo? Não é pegadinha do Faustão?
<Bruno> Não... Eu até comprei este anel a fiado no camelô na frente do hospital. Você aceita?
<Jhacy> Claro! Eu aceito porque te amo muito.
<Bruno> Que ótimo. Minha mãe vai ajudar a organizar a cerimônia. O casamento vai ser o mais breve possível.
<Jhacy> Como você quiser meu pixorruco. Mas eu quero um telão bem grande daqueles de cinema e um vestido de noiva muito lindo. Vamos ficar juntos até que a morte nos separe...
<Bruno> Isso mesmo. Até que a morte nos separe...

Os dias passam... As folhas do calendário voam... O sol nasce e morre... As nuvens pintam o céu como uma aquarela... Os ponteiros do relógio apostam corrida... O dia do casamento finalmente chega...

No jardim da casa dos Steinberg, Ana recebe o Poderoso Guru.

<Ana> Que bom que o senhor aceitou o convite para celebrar o casamento.
<Poderoso Guru> Claro, a Jhacy vai pagar bem, quer dizer, a Jhacy sempre foi uma lobinha muito fiel ao Templo da Eternidade. E você, ainda está com o espírito da onça maléfica?
<Ana> Claro que não. E ainda não esqueci que fui expulsa do Templo. Ainda bem que a revista Caras não soube disso, senão eu processava sua seita.
<Poderoso Guru> Mas vamos esquecer isso tudo. É melhor apagar a fogueira das memórias antes que o fogo se espalhe pelo mato e queime o acampamento.
<Ana> Ah?
<Poderoso Guru> E eu tenho muito prazer em armar a barraca em seu gramado para fazer o casamento.
<Ana> Com certeza, casamento em casa é muito chique. E ainda bem que não está chovendo.

No outro lado, Griselda conversa com Clara...

<Griselda> Clara, não fica triste, hoje tem festa. Olha que bonito, derrubaram aquela estufa de plantas para montar as coisas do casamento.
<Clara> Ui vovó... Estes dias têm sido difíceis para mim. E eu pisei em um sapo na grama.
<Griselda> Pior eu, que pisei em um chocolate.
<Clara> Hihihi... Eu acho que não era um chocolate...
<Griselda> Mas eu prefiro pensar que é...
<Clara> Vó, você não tinha um curativo no dedo?
<Griselda> Ah, é verdade...
<Clara> Ihhh, deve ter caído no ponche...
<Griselda> Não faz mal, eu tenho outro aqui.

Enquanto isso, Jhacy faz a prova de seu vestido de noiva no quarto de Griselda. Yara entra inesperadamente...

<Jhacy> Yara! O que você está fazendo aqui?
<Yara> Eu tava meio sumida mesmo, morô? Mas alguém precisa acreditar em mim, nem que eu tenha que fazer um escândalo. Foi o Bruno que apagou o Carlos Henrique e ele só quer sua grana.

  
Bruno caminha pelo corredor e ouve a voz de Yara. Ele entra no quarto.

No jardim da casa, Griselda recebe a visita de Gregório.

<Griselda> Oi meu amor... A gente já fez tanta coisa nessa semana, queria que você conhecesse minha família...
<Gregório> Claro minha admirável companheira. Até usei sua abismal colônia que você deixou lá no manicômio.
<Griselda> Aquela do vidro verde? Aquilo é remédio para osteoporose.

 
Ana se aproxima e cumprimenta Griselda.
 
<Ana> Até que enfim vou conhecer seu namorado...
 
Ana vira os olhos para Gregório. Ela analisa os traços de sua face e vê a cicatriz que ele tem no pescoço. Ana fica paralisada. Ela perde os sentidos e desmaia.

Em outra parte do jardim, James encontra uma moça ruiva...

<Mulher> James, eu quero meu dinheiro.
<James> Calma senhora, eu já estou providenciando.
<Mulher> Você me prometeu lá na hípica que iria me pagar. E já está muito atrasado. Ou você me paga agora ou eu conto a verdade para todo mundo.

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