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Capítulo
17
Ruínas da Obsessão

Mariazinha permanece encarando Jhacy. A seqüestrada olha rapidamente o papel. Ela começa a pensar...
<Jhacy> É só assinar este papel?
<Mariazinha> Na boa, é só escrever teu nome nesse lance...
<Sandrinha> Soh...
<Jhacy> Ah, isso é fácil!
<Pedrinho> Issa!
Jhacy assina o documento e entrega o papel para
Mariazinha.
<Mariazinha> Então acabou esse caô... Tu é uma baranga livre agora...
<Jhacy> Já? Ah, que pena...
<Marizinha> Tu quer uma carona pro teu cafofo?
<Jhacy> Sim, claro...
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Na casa dos Steinberg, Clara
continua chorando, aflita com o desabamento do prédio.

<Griselda> Calma
minha netinha... O Lucas deve estar em lugar muito melhor, o céu...
<Clara> O céu é muito longe?
<Griselda> Eu não sei, nunca fui pra lá...
<Clara> Mas a gente vai visitar ele, né?
<Griselda> Só quando você bater as botas...
<Clara> Ai vovó, eu estou com saudades do Lucas... Quero visitar o
túmulo dele.
<Griselda> Mas ele nem foi enterrado ainda...
<Clara> Como assim? As pessoas são enterradas? |
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No manicômio, Yara e seus amigos tentam abrir a porta.

<Yara> Cleo... Tipo, eu acho que essas porta tá travada.
<Cleópatra> Deve ter sido coisa dos romanos otomanos...
<Yara> Napo... Tu é mais balofo, tenta abrir esses lance.
<Napoleão> A única coisa que posso abrir são os portos para as nações amigas. As portas estão fora do meu ramo de atuação.
<Cleópatra> Os nossos inimigos devem ter travado a porta por fora. Na
semana passada ela estava aberta.
<Yara> Isso é muito fubento, uma garmice greada...
<Napoleão> Ah? Bem, a gente pode tentar encontrar algo para abrir a porta na nossa sala secreta de tesouros... |
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Bem longe dali, a área do edifício do escritório é cercada e os bombeiros agem no local. A estrutura da construção apresenta várias irregularidades, confirmando que o prédio estava condenado. Bruno encontra um bombeiro e tenta obter novas informações...

<Bombeiro> Bem, eu conversei com o porteiro que estava no bar ao lado tomando uma catuaba selvagem na hora do desmoronamento.
<Bruno> E onde ele está agora?
<Bombeiro> Foi dar entrevista para um jornal regional, uma revista falida, uma emissora de televisão sensacionalista e está assinando contrato para posar na Playboy.
<Bruno> Mas... Um homem na Playboy?
<Bombeiro> A computação gráfica é muito eficiente hoje em dia...
<Bruno> E havia muitas pessoas dentro do prédio?
<Bombeiro> Não, a maioria dos escritórios estava em recesso por causa da corrida de cavalos. Só havia uma empresa funcionando...
<Bruno> E quem exatamente estava dentro do prédio?
<Bombeiro> O porteiro disse que acha que havia uma secretária com cafeína no sangue e um office-boy com cara de tarado.
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Na casa dos Steinberg, Griselda encontra James na cozinha...

<Griselda> James, onde você estava?
<James> Eu fiquei tratando de assuntos pessoais...
<Griselda> Mas você anda muito misterioso ultimamente. Tá agarrando a mulherada?
<James> Bem... É...
<Griselda> Ah, seu garanhão... Deve estar cheio de filho espalhado no mundo...
<James> E a senhora está namorando o senhor Gregório?
<Griselda> A gente só tá ficando... Eu dei um beijo "limpeza de dentadura" nele.
<James> Mas a senhora é uma senhora de família. Deve manter a moral...
<Griselda> Ah não... Eu quero passar o rodo nos gostosos e encontrar meu grande amor.
<James> Talvez o seu grande amor esteja mais perto do que a senhora imagina...
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Enquanto isso, no cemitério da cidade, Lucas visita o túmulo de Dulce Castilho...

<Lucas> Quem diria... Eu sou seu filho... Quando soube da verdade sai correndo do trabalho e vim aqui te visitar. Queria ter te conhecido... Pelo menos o meu pai Carlos Henrique está enterrado aqui também, nem preciso pegar dois ônibus para visitar cada um. Mas eu sinto algo muito forte pela Clara. E a gente não pode mais ficar juntos, somos irmãos. Queria que a senhora estivesse aqui comigo. Tenho que contar isso para ela... E eu não sei o que pode acontecer...
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No manicômio, Napoleão e Cleópatra encaminham Yara até a sala secreta de tesouros...

<Yara> Putz grilo... Esse auê é a filial do camelô?
<Cleópatra> Aqui estão todos nossos tesouros, desde a dinastia de Pedro Álvares Cabral.
<Yara> Tem até um celular aqui...
<Napoleão> Sim, a Shideh esqueceu outro dia e nós roubamos, quer dizer, incorporamos ao nosso patrimônio.
<Yara> Eu posso ficar com ele?
<Napoleão> Não pode. Este tesouro é do nosso governo.
<Yara> Olha ali o Nero!
Napoleão e Cleópatra olham para o lado. Yara pega o celular e coloca
rapidamente no seu bolso...
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Na casa dos Steinberg, Jhacy encontra James...

<Jhacy> Olá James...
<James> Boa tarde senhora. Que vestimentas são essas?
<Jhacy> É minha roupa invisível que só as pessoas inteligentes conseguem ver.
<James> Adorei essa cor... vermelha.
<Jhacy> Eu pensei que era azul...
<James> Digamos que é um azul avermelhado...
<Jhacy> Ah, eu tive uma grande aventura. A gangue da Yara pediu para entregar este papel assinado para você...
<James> Obrigado senhora.
<Jhacy> Mas tem algo estranho nessa sala... Parece vazia... Ah, já sei. Fizeram uma boa faxina aqui... Ficou bem melhor sem o pó...
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Enquanto isso, o antigo sócio
de Carlos Henrique chega aflito em seu apartamento... Ele pega o telefone e disca alguns números...

<Alexandre> Bruno, é você?
<Bruno> Sim...
<Alexandre> Aqui é o Alexandre Martins. Eu vi na televisão o desabamento do prédio. Fiquei preocupado contigo.
<Bruno> Ah? Como assim? Desde quando o senhor se preocupa comigo?
<Alexandre> É um assunto complicado. Mas eu tomei uma decisão muito importante quando percebi que você poderia ter morrido no desabamento.
<Bruno> O que você quer de mim?
<Alexandre> Eu preciso falar pessoalmente... Vamos marcar um encontro...
<Bruno> Eu estou achando isso muito estranho, mas tudo bem... Eu estou meio ocupado. Pode ser mais tarde?
<Alexandre> Claro...
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Na casa dos Steinberg, Lucas aparece para conversar com Clara. Ela sorri muito quando vê o rapaz e o abraça emocionada.

<Clara> Lucas, você está vivo! Que legal, hihihi... Sabia que quando as pessoas morrem elas são enterradas?
<Lucas> Sério? Eu pensei que eram colocadas em buracos com terra por cima...
<Clara> Eu fiquei muito triste quando vi o prédio caindo na televisão. Pensei que você estava lá dentro...
<Lucas> Que prédio?
<Clara> O prédiozinho do escritório desabou.
<Lucas> O quê? Meu peixe Odete Roitman estava lá dentro! Ah, mas a Jhacy jogou ele na patente, talvez tenha se salvado...
<Clara> Hihihi...
<Lucas> Bem, eu descobri uma coisa... O Carlos Henrique é meu pai e nós dois somos irmãos.
<Clara> Ah, que legal. Eu sempre quis ter mais um irmãozinho para colocar um vestidinho e dar papinha...
<Lucas> Mas... Como somos irmãos a gente não pode namorar e nem fazer
respiração boca a boca. É contra a lei!
Clara fica paralisada por alguns instantes. Os olhos se enchem de lágrimas. Ela começa a chorar...
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No corredor da casa dos Steinberg, James caminha misteriosamente segurando o papel com a assinatura de Jhacy. Ele entra em um quarto e encontra Ana...

<James> Senhora, aqui está o documento.
<Ana> Então deu tudo certo?
<James> Sim, minha estimada agente Asas.
<Ana> Que ótimo... Agora é só passar no cartório e a herança vai ficar comigo. Mas eu acho tão chique usar esses codinomes com as iniciais do nome. "Ana Suzette Almeida Steinberg" fechou certinho no codinome Asas...
<James> O meu nome, "James Minozzo", ficou Jm.
<Ana> Imagina então como ficaria o codinome de alguém chamado "Cornélio Ubaldo"...
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Em outra parte da casa, Bruno encontra
Jhacy...

<Bruno> Ah, finalmente encontrei você.
<Jhacy> Oi meu amor... Que bom que você chegou...
<Bruno> Pensei que você estava no prédio do escritório que desabou...
<Jhacy> O prédio desabou? Que sorte que eu não estava lá... Na verdade eu estava em um seqüestro... Foi tão legal!
<Bruno> O quê? Bem, eu não tenho tempo para ouvir suas asneiras. Tenho aqui aqueles papéis para você assinar.
<Jhacy> Ah meu amor, eu me sinto uma superstar dando autógrafo quando assino papéis...
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E no piso superior da casa, Griselda entra no quarto de Clara e encontra a neta chorando...

<Griselda> Minha netinha, por que você está chorando? O Lucas puxou seu cabelo?
<Clara> Não vovó... O Lucas é filho do papai e eu não posso ficar com ele porque somos irmãos...
<Griselda> Então o Carlos Henrique tem um filho fora do casamento? Estou muito orgulhosa.
<Clara> Mas eu quero ficar com o Lucas. Ele é legal, bonito e tem cara de tarado.
<Lucas> Mas é a vida Clara. Eu estou sofrendo também...
<Clara> Já sei! Lucas, eu estou grávida! A gente precisa ficar junto.
<Lucas> O quê?
<Clara> Ah, isso sempre dá certo com as pessoas da televisão, hihihi...
<Griselda> Clara, você está assistindo muita novela mexicana. Eu vou começar a proibir, como eu fiz com o Globo Rural. Não agüentava ouvir você mugindo pela casa.
<Lucas> Eu estou chocado. Bem, eu tenho no bolso um teste de gravidez que veio de brinde com
um pacote de café da Dona Dóris.
<Clara> Hihihi, eu quero fazer o teste. E vou tirar nota boa. |
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No manicômio, Yara retorna ao seu cubículo. Ela percebe que não há ninguém por perto, pega o celular e disca um número...

<Mariazinha> Alô?
<Yara> E aí musa! Tudo belê?
<Mariazinha> Yara?
<Yara> Sim minha chapa. Eu estou enganando uma galera.
<Mariazinha> Soh...
<Yara> Mas eu tô de volta e preciso da minha turma para abalar geral. É fogo na bomba! |
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No outro lado da cidade, Bruno chega ao cartório para validar o documento que transfere a herança para ele...

<Bruno> Mãe? O que você está fazendo aqui? |
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Enquanto isso, Lucas aguarda ansioso o resultado do teste de gravidez. Clara e Griselda entram na sala...

<Clara> Eu fiz pipi no potinho, hihihi...
<Lucas> E então?
<Griselda> Eu não acredito... O teste deu positivo. A Clara está grávida. |
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