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Capítulo
14
Corrida Maluca

Bruno e Yara continuam se encarando por alguns breves instantes. Ela passa a mão na cabeça diversas vezes... Ele percebe que Yara está com um olhar diferente...
<Yara> Quem é tu?
<Bruno> Como assim? Eu sou o seu querido irmão...
<Yara> Que lugar é esse?
<Bruno> Ah? Eu não estou acreditando... O que aconteceu?
<Yara> Tipo... A minha cabeça tá doendo pra caramba.
<Bruno> Bem, eu tenho uma substância ilícita muito boa no bolso. Quer provar um pouco?
<Yara> Não quero nenhum bagulho, valeu... Eu só queria um pouco de água.
Bruno fica perplexo. Yara estava muito diferente. Ela não se lembrava de nada. Shideh entra novamente no cubículo, interrompendo a conversa dos dois. Bruno percebe que Yara não representa mais nenhum risco para ele e desiste de eliminar a garota.
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Enquanto isso, na hípica, James arrasta o segurança Mota desacordado até um quarto pequeno
bem próximo...

James revista os bolsos do segurança e encontra o que estava procurando: um cartão de acesso. O mordomo deixa o segurança no pequeno quarto e tranca a porta pelo lado de fora. |
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No escritório de advocacia "Jhacy, a Indomável & Associados", Jhacy repara que Dóris está segurando os seus documentos...

<Dóris> O que significa isso chefinha?
<Lucas> A gente encontrou essas duas carteiras de identidade na sua bolsa.
<Dóris> Na verdade fui só eu que encontrei. O Lucas não consegue encontrar nem uma agulha no palheiro.
<Jhacy> Bem, eu vou explicar para vocês... Eu vivo nesse país com nome falso. Eu sou uma imigrante ilegal.
<Dóris> O quê?
<Jhacy> Eu sou mexicana. Meu nome real é Jaci Herrera. Mas para viver aqui no Brasil acabei conseguindo uma identidade falsa com o nome Jaci Jericó.
<Lucas> Mas por que sair do México, um país cheio de possibilidades?
<Jhacy> Guadalajara é muito quente o ano inteiro. A guacamole fica com gosto esquisito.
<Lucas> E existe alguma comida mexicana sem gosto esquisito? |
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Na hípica, James caminha calmamente pelos corredores. Ele
vai até o estábulo. O mordomo olha discretamente para os lados, verificando que não há ninguém por perto. Ele pega o cartão de acesso e passa pela leitora óptica. A porta é destravada.
James caminha lentamente entre os cavalos.

Ele fica atento às placas com os nomes dos animais e encontra o Ferradura de Ouro. James se aproxima do cavalo, puxa a perna do animal e pega uma barra de ferro no chão. Ele danifica levemente uma das ferraduras do cavalo.
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No escritório, Dóris, Lucas e Jhacy continuam a conversa...

<Dóris> Mas você conseguiu se adaptar bem ao Brasil?
<Jhacy> Foi um pouco difícil... Tirando os bigodes, o sotaque, as lagartixas gigantes, a pimenta e as crianças fedorentas, o México é igual ao Brasil.
<Lucas> Mas aqui existe criança fedorenta também.
<Jhacy> Isso porque você não conhece o odor dos chiquititos quando eles fogem dos répteis
de Guadalajara.
<Dóris> Chefinha... Mas você fala o português muito bem...
<Jhacy> Sim, eu treinei muito a língua. Mas eu não consigo entender o português escrito. Tenho que disfarçar quando o meu amorzinho pede pra eu assinar papéis. Aliás, eu quero que vocês me prometam que não irão contar para ninguém. Isso pode dar problemas com minha herança do testamento.
<Dóris> Eu prometo.
<Lucas> Eu juro pela sua bonita roupa.
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No mesmo momento, Bruno sai do manicômio. Ele pára na calçada e lembra que havia ficado de telefonar para o escritório quando estava no bar... Bruno procura seu celular e disca o número...

<Lucas> Escritório de advocacia e Correio do Amor "Jhacy e Associados". Boa tarde!
<Bruno> Estagiário, você buscou aqueles papéis que eu pedi para você?
<Lucas> Ah, eu esqueci. Mas eu tinha telefonado para o escritório.
Avisei a Jhacy.
<Bruno> Mas você deveria ter avisado a Dona Dóris.
<Lucas> Parece que a Dóris tinha saído naquele horário.
<Bruno> Que horas você telefonou?
<Lucas> Um pouco depois das 14 horas...
Bruno suspira desconfiado. Ele avisa Lucas que irá passar no escritório e desliga o telefone.
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Na casa dos Steinberg, Clara assiste televisão quando é interrompida por Ana...

<Ana> Ah, que stress... Eu tentei ganhar dinheiro na internet lá no quarto do Bruno, mas só ganhei calos nas mãos.
<Clara> Mamãe tá dodói?
<Ana> Mas isso não foi o pior. Eu quebrei uma unha. Eu estou me sentindo uma onça sem garras!
<Clara> As pessoas da televisão estão fazendo uma daquelas vendas de garagem com coisas velhas para ganhar moedinhas, hihihi...
<Ana> Bem, mas eu não tenho nada velho aqui em casa. É tudo chique.
<Clara> A vovó é velha, vende ela.
<Ana> Só se o museu comprar. Mas espera aí... Essas coisas aqui de casa nem são mais da gente. A Jhacy herdou tudo. Então é uma boa idéia. Vamos fazer um saldão e vender toda a tranqueira.
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No escritório, Lucas ajuda Jhacy com a televisão...

<Lucas> Então é só apertar esse botão escrito "Ligar" que a TV funciona...
<Jhacy> Mas que coisa complicada. Bem que poderia funcionar por pensamento. E onde está a Dona Dóris?
<Lucas> Ela foi lá no estacionamento pegar alguns baldes com água, já que o encanamento entrou pelo cano aqui em cima.
<Jhacy> Ah, essa seca miserável me deu saudade do México. Mas eu tenho minha antiga carteira de identidade pra matar a saudade.
<Lucas> Você vai beijar ela outra vez?
<Jhacy> Sim, dessa vez com o batom invisível que só as pessoas inteligentes conseguem ver. Comprei do alfaiate que fez essa roupa.
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Na hípica, James retorna à sala do piso superior. Ele encontra uma mulher.

<James> A senhora poderia sair da sala?
<Mulher> Mas aqui está super confortável.
<James> Daqui a pouco a corrida vai começar, a senhora não vai assistir?
<Mulher> Não, eu estou com uma super diarréia.
<James> E se eu te der 10 reais, a senhora sai da sala?
<Mulher> Claro! Vou comprar papel higiênico super.
James aguarda cada passo da mulher até ela deixar a sala. Em seguida, ele arrasta o segurança Mota do quarto pequeno até a sala. James guarda novamente o cartão de acesso no bolso do segurança e joga um pouco de água sobre ele. Mota acorda.

<Mota> O que aconteceu?
<James> Calma, o senhor desmaiou, deve ser pressão baixa.
<Mota> Mas por que me chamaram aqui?
<James> Bem... É que... Tinha uma senhora fazendo confusão, mas ela já foi embora...
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Na casa dos Steinberg, Ana finaliza os preparativos para o saldão.

<Ana> Já pendurei a faixa lá fora anunciando a venda.
<Clara> A faixa ficou tão bonita.
<Ana> Sim, mas você pintou corações demais. A próxima vez vou te dar só um pote de guache.
<Clara> Ah, mas pelo menos diga onde escondeu os outros.
<Ana> Nem pensar...
<Clara> Fiquei com sono. Vou tirar uma soneca...
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Na hípica, Griselda e Gregório ficam agitados...

<Gregório> A estimada corrida já irá ter seu início.
<Griselda> Oba! O Pangaré Alado vai ganhar, pode apostar.
<Gregório> Bem, segundo as estimativas, quem irá vencer é o Ferradura de Ouro.
<Griselda> Isso é algo que inventaram para assustar as crianças, como o Bicho Papão e o Michael Jackson.
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Enquanto isso, no escritório, Jhacy encontra Lucas na sala de café...

<Jhacy> Cadê a Dona Dóris?
<Lucas> Ela saiu novamente. Acabaram os pacotes de café.
<Jhacy> Aquele mercadinho deve lucrar muito com ela... Mas levei tanto tempo para tirar as manchas de café do piso... Fiquei cansada. Aqueles baldes de água não rendem quase nada.
<Lucas> Já acabou a água? Eu vou ligar pro celular da Dóris e pedir para ela
trazer mais.
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Na frente do prédio, Bruno tenta forçar a porta emperrada para entrar. Mas não consegue. Ele dá a volta e acaba entrando pelo estacionamento. Bruno esbarra em Dóris. Ele olha para a secretária...

<Bruno> Dóris, onde você foi quando saiu do escritório às 14 horas?
<Dóris> Não lembro. Devo ter ido comprar adoçante.
<Bruno> Eu acho que você está mentindo...
<Dóris> Por que eu iria mentir? Nunca menti pros meus chefinhos. Eu adorava o fofinho, quer dizer, o Carlos Henrique.
<Bruno> Mas é claro... Só pode ser você que está me ameaçando! Era apaixonada pelo Carlos Henrique e quer se vingar agora. Só não sei como você descobriu todo meu plano.
<Dóris> Eu não estou entendo nada.
<Bruno> Pára de se fazer de sonsa! Eu também sei fingir e disfarçar muito bem quando quero conseguir algo.
Dóris fica assustada. O celular dela toca. Bruno estranha o barulho e arranca o celular da secretária. Ele confere o número do aparelho e sorri discretamente. É o mesmo que havia enviado a mensagem de ameaça para ele. Bruno confirma sua suspeita e pega sua arma no bolso.
<Bruno> Sua cachorra! Queria fazer esse joguinho de ameaça comigo? Então foi você que tentou me matar no parque.
<Dóris> Eu... Eu não fiz nada...
<Bruno> Você finge muito bem. Brincou com fogo e está na hora de se queimar.
<Dóris> Mas... Mas... Se você atirar em mim todo mundo vai ouvir o barulho... |
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No mesmo momento, no escritório, Lucas estranha o fato de Dóris não ter atendido a chamada...

<Lucas> Já que ela não atendeu, eu mesmo vou buscar água...
<Jhacy> Mas a corrida acabou de começar. Não quer assistir?
<Lucas> Acho que não... Cavalo é tudo igual. Prefiro programa de televenda de tapete. |
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Na casa dos Steinberg, a campainha toca. Ana fica entusiasmada, deve ser seu primeiro freguês. Ela berra avisando que a porta está aberta. A pessoa entra...

<Ana> Era só o que faltava...
<Mulher> O que você está fazendo na minha frente filhinha?
<Ana> Eu não mereço isso...
<Mulher> Você denegriu minhas opção. Agora vai levar porrada! Apesar de eu ser cover da maravilhosa Dulce Castilho, durante alguns períodos do dia eu sou o Tonhão! |
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Na hípica, os cavalos continuam correndo...

O Ferradura de Ouro está lado a lado com o Pangaré Alado. O momento da decisão se aproxima e eles cruzam a reta final. Griselda faz uma pergunta para Gregório...
<Griselda> Quem venceu? A lente dos meus óculos está suja, eu não vi... |
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Em seguida, os organizadores do evento iniciam a tradicional queima de fogos de artifício. O forte som ecoa por toda a cidade. No estacionamento, Dóris ouve o barulho e fica gelada. Ela olha desesperada para Bruno. Ele, sem pensar muito, dispara o gatilho. O som da arma é encoberto
pelo barulho do lado de fora. A bala percorre rapidamente o ar e atinge a secretária. A visão de Dóris começa a desfocar. O sangue escorre pelo corpo. Dóris perde todos os sentidos. A visão escurece. O corpo não responde mais ao cérebro. Ela cai no chão em meio a uma poça de sangue. Bruno presencia tudo, com uma sensação de alívio. O som dos fogos vai diminuindo até chegar ao silêncio. Mas um barulho interrompe...

Lucas abre a porta e entra no local. |
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