Capítulo 12
Caçada Fatal

Ana fica estática com a pergunta de Alexandre...

<Alexandre> Diz, quem é o pai do Bruno?
<Ana> É o Carlos Henrique...
<Alexandre> Você está mentindo... Eu te conheço muito bem.
<Ana> Eu estou dizendo a verdade. O Bruno se confundiu com uma briga que tive com o Carlos Henrique, onde a gente comentou isso só de raiva mesmo.
<Alexandre> Ou você me diz a verdade, ou está tudo acabado entre nós.
<Ana> E com que moral você me diz isso? Você mesmo mentiu horrores para desviar o dinheiro da empresa.
<Alexandre> Eu pensei que te conhecia... Eu menti para os outros. Não menti para você.


Alexandre tira a passagem de Ana do seu bolso. Ela fica nervosa. Ele rasga a passagem em vários pedaços e joga no chão. Em seguida pega sua mala e a deixa sozinha ali. Ana fica muito abalada e tenta segurar o choro.

Enquanto isso, na entrada do manicômio, Lucas tenta explicar para Griselda que Clara não seria capaz de matar o próprio pai.

<Griselda> Mas foi a menina que confessou tudo...
<Lucas> Isso não faz sentido...
<Griselda> Eu estou lembrando de algumas coisas...

A Clara encontrou a arma de caçar esquilos do avô na gaveta da minha cômoda. Ela nem sabia o que era aquilo... Se ela tivesse matado o pai, por que iria voltar a mexer na arma?

Capítulo 9
<Clara> Vô, o que é isso?
<Griselda> Clara, isso é muito perigoso, é uma arma.

 
 

Na hora que ela entrou na sala e confessou tudo, também havia algo esquisito... Se ela estava escondendo isso tão bem de todos, não teria motivo para confessar o crime...

Capítulo 10
<Ana> Então você sabia do caso do seu pai?
<Clara> Claro que sim. Não sou tão ingênua, o papai não prestava. Eu também peguei as fita com a voz da Dulce e deixei o recado no seu celular. Queria me divertir um pouco.

 
Agora que estou entendendo... Não foi a Clara que disse aquilo tudo. Foi a Yara! Algumas vezes ela deixou escapar os "s" a mais que ela costuma usar nas palavras. Eu havia achado isso muito estranho. Ela enganou todo mundo. Foi a Yara que matou o pai. E motivos para isso não faltavam...

Lucas fica impressionado.

<Lucas> Então a gente pode fazer a coisa certa. Vamos trocar a inocente pela culpada.
<Griselda> Agora sim concordo com você, meu menino.
<Lucas> Ah, eu tenho serviço da empresa para fazer. Vou só telefonar para lá, dizendo que vou demorar um pouco...
<Griselda> Tudo bem, eu vou aproveitar e ligar pro James para contar as novidades...

No Parque Central, o silêncio toma conta do ambiente. O vento balança levemente as folhas das árvores... Passam longos minutos... Bruno abre os olhos. Ele permanece algum tempo imóvel, esperando que o vulto já tenha ido embora. E, em seguida, levanta do chão.

Bruno tenta organizar as idéias, ainda meio tonto. Ele põe a mão no peito e sente o colete a prova de balas que havia colocado antes de sair do escritório. Bruno sente a textura da bala do revólver, ainda quente. Ele treme de medo e tenta se acalmar...

No mesmo momento, James termina uma conversa no telefone...

<James> Sim, entendi tudo agente Asas. Vamos começar a colocar em prática...

O mordomo desliga o telefone. Ele começa a pensar e percebe que tudo o que foi planejado pode dar realmente certo.

No manicômio, Griselda e Lucas chegam na sala de recepção.

<Lucas> Essa sala só precisa de estalactites e morcegos para virar uma atração turística... 
<Griselda> O quê?
<Lucas> Bem, a gente gostaria de visitar a interna Clara Steinberg.
<Gregório> Meus renegados visitantes, eu sou o diretor do manicômio. O que aconteceu com essa voluptuosa moça de preto?
<Lucas> A Yara? Sabe, ela está com sono. Vodca acaba com as pessoas.
<Griselda> Sim, é isso. Ela não foi encontrada caída em um toldo no meio da rua...
<Gregório> Certo, mas somente duas pessoas podem visitar a recognada interna.


Fica combinado que Lucas e Yara vão entrar para a visita. Gregório chama Shideh para encaminhar os dois, enquanto começa a conversar com Griselda.

Enquanto isso, no escritório de advocacia "Jhacy, a Indomável & Associados", Dóris encontra Jhacy na antiga sala de Alexandre.

<Dóris> Quer uma noz?
<Jhacy> Ah, que escolha difícil. Mas não quero não...
<Dóris> Sábia decisão, elas estão aqui desde 1998.
<Jhacy> Mas como esse lugar está sujo...
<Dóris> Ninguém tem paciência para recolher os pedaços de parede que caem todo dia.
<Jhacy> Ah?
<Dóris> Sim, dá para espiar as pessoas no banheiro pelo buraco atrás do armário.
<Jhacy> Então vou começar a fazer uma boa limpeza aqui... A poeira vai voar longe...
<Dóris> Sabe, eu adoro voar. Acho que fui um avião na minha vida passada.

No manicômio, Lucas arrasta Yara quando ouve as palavras de Shideh...

<Shideh> A gente trocou a interna de cela. O caminho é por aqui. Só cuidado com o Napoleão. Ele ficou muito nervoso depois que perdeu o campeonato de par ou ímpar, ha, ha, ha...
<Lucas> Ah, tudo bem. Eu também fico nervoso às vezes... Principalmente quando vejo o Jim Carrey em papéis sérios.


Eles chegam ao destino. Shideh se despede, coça o nariz e os deixa a sós. Clara olha fixamente para Lucas e vai em sua direção. Eles se abraçam bem forte.

<Clara> Lucas!
<Lucas> Oi meu amor. 
<Clara> Que bom que você veio. Ui, eu estava com medo. Senti falta dos meus iogurtes. E o Napoleão queria me convencer que 4 é um número ímpar...
<Lucas> Bem, eu prometi que iria tirar você daqui e vou cumprir...
<Clara> Que legal. Eu não acredito em gnomos, mas sempre acreditei em você.
<Lucas> Nós temos pouco tempo. O plano é o seguinte: troca de roupa com a Yara.
<Clara> Tá bom, mas fecha o olho, hihihi...

Em outra parte da cidade, Bruno caminha muito aflito pela calçada. Ele encontra um bar e resolve sentar um pouco para se acalmar...

<Garçom> Bem-vindo ao restaurante temático "do" Alemanha. Peça qualquer comida e ganhe grátis meia hora de gases.
<Bruno> Eu, eu queria uma água.
<Garçom> Mas "a" joelho de porco está um delícia. Ele correu durante toda "o" manhã para ficar mais macio.
<Bruno> Eu, eu também já corri... Fiz tudo para ficar com algo que já deveria ser meu por direito. Mas por causa de uma briga enorme na família meu pai acabou deserdando todos os parentes...
<Garçom> Mas isso eu não tenho aqui "na" restaurante. Você só encontra pratos com carne de parentes "no" cantina da máfia italiana.

No manicômio, Griselda conversa atentamente com Gregório...

<Griselda> Então o senhor não gosta de sorvete?
<Gregório> Não, é muito gelado... Mas a senhora é casada?
<Griselda> Eu sou viúva... Meu velho morreu há três meses atrás...
<Gregório> Imagino que tenha sido uma cognitiva perda.
<Griselda> Foi muito esquisito...

O vovô Leôncio Steinberg sempre foi muito aventureiro, mas era um pouco desatento. A gente era muito feliz lá na região agrícola. O nosso sítio não era o melhor, mas estava sempre arrumado. E o Leôncio adorava sair para caçar esquilos no mato...

<Griselda> Por que a gente não come as galinhas?
<Leôncio> Esquilo tem mais cálcio.
<Griselda> Mas esquilos são difíceis de encontrar. E coelhos também são deliciosos.
<Leôncio> Os coelhos eu sempre devolvo para a natureza para que possam colocar mais ovos.

Um dia a minha netinha Yara foi passar férias lá no sítio com seus coleguinhas da aula. Eu passava bastante tempo com ela e ajudava nas brincadeiras. Acabei ficando um pouco distante do meu velho...

<Griselda> O que é essa fumaça aqui na horta?
<Yara> E aí Gri... Tudo belê? A gente tá brincando de comidinha.
<Griselda> Com aquelas plantinhas de tomate de três folhas que nunca deram tomate?
<Yara> Issa! Altos barato!
<Griselda> Que bonitinho... Mas o Leôncio ainda não voltou da floresta hoje... Vocês por acaso viram ele?
<Yara> Deixa eu pensar aí coroa... Leôncio? Acho que hoje só vi mesmo os Papa dançando tango.
<Pedrinho> Soh...

Um tempo depois meu querido netinho Bruno contratou um guia para procurar o Leôncio. Mas ele só encontrou os ossos do meu velho. Acho que dessa vez os esquilos foram mais espertos que ele...

<Griselda> Mas como isso pôde acontecer?
<Guia> Eu não sei, mas a sua casa é muito hospitaleira. Sua neta até me ofereceu um chá muito bom, issa! Mó astral...
<Griselda> A Yara transmite muito do seu carinho no cultivo. Até as galinhas comeram a plantinha de tomate sem tomate e agora cacarejam o dia inteiro...

A gente acabou fazendo o velório do meu velho lá no sítio mesmo. Eu me senti muito sozinha sem ele. A Yara era uma boa menina, até se ofereceu para morar comigo e sobreviver da agricultura. Ela até vendeu umas plantinhas para um homem de preto sem orelha, mas não tinha nota fiscal e o governo talvez não iria gostar. E acabei me mudando para a casa do meu falecido filho. Eu nem tinha muito contato com ele, mas fiquei mais feliz perto dos meus netinhos...

Griselda fica emocionada relembrando o passado. Lucas e Clara aparecem na sala...

<Gregório> A moça de preto agora parece bem melhor. O ar antropégico do local parece ter reativado os ânimos.
<Lucas> Na próxima vez que eu encontrar o senhor vou trazer um dicionário.
<Griselda> Então chegou a hora da despedida...
<Gregório> Bem, eu achei a senhora muito litúrgica. Quer ir comigo prestigiar o Gran Prêmio Hípico durante essa tarde?
<Griselda> Ah, eu não sei...
<Gregório> Mas esse é o evento mais importante da cidade!
<Griselda> Bem, não sei ainda...
<Gregório> Vai ter muitos eqüinos...
<Griselda> Tudo bem, é claro que eu vou. Só estava fazendo charme.

Griselda sorri para Gregório. Eles combinam de ir direto até a hípica. Lucas e Clara se despedem, comemorando o sucesso do plano.

No escritório, Jhacy e Dóris conversam...

<Jhacy> Eu estava tirando o pó daquela outra sala e encontrei essa televisão.
<Dóris> Ai, que ótimo. O Lucas perdeu ela no mês passado. Vamos poder assistir o Gran Prêmio Hípico.
<Jhacy> Eu até poderia ir lá na hípica para exibir meu novo modelito, mas eu sou contra o uso indiscriminado de animais em corridas.
<Dóris> Eu também poderia ir, mas aqui tem bem mais café... Aliás, esse controle remoto está sem pilha.
<Jhacy> Tem pilha na minha bolsa, pode ir lá pegar.

Dóris vai até a outra sala e encontra as pilhas na bolsa de Jhacy. Mas ela repara que há um envelope vermelho. Dóris não agüenta a curiosidade e abre o envelope. Ela fica surpresa com o que encontra...

No manicômio, Shideh faz a inspeção dos internos para conferir se está tudo bem. Ela entra no cubículo de Clara.

Shideh repara que não há ninguém no lugar. Está tudo vazio...

E, próximo ao bar onde está Bruno, Lucas e Clara caminham tranqüilamente...

Bruno, ainda meio nervoso, repara neles. Ele fica aflito e resmunga bem baixo algumas palavras...

<Bruno> Lucas e... Yara? Mas a Yara sabe de tudo... Ela não morreu?

Os pensamentos de Bruno se embaralham. Tudo o que aconteceu retorna a sua mente. O assassinato do pai, o momento que empurrou Yara do prédio e o atentado que sofreu no parque. Sem pensar, Bruno tira discretamente sua arma do bolso e mira na garota.

Copyright © Encontro Final by AnjoMau