Capítulo 11
Rumo Incerto

"Amor, me encontre às 14:00 horas no Parque Central da cidade. Jaci"

Bruno passa os olhos diversas vezes pelo papel, tentando entender a mensagem... Era o mesmo bilhete que ele mesmo havia deixado para seu pai. As mesmas palavras, a mesma cor, a mesma assinatura. E este bilhete, com certeza, não estava ali por acaso. Bruno conclui que alguém descobriu todo seu plano e deixou o bilhete como uma forma de ameaça. Poderia ter sido qualquer pessoa. Mas ele não podia negar o fato de um novo encontro ter sido marcado às 14:00 no Parque Central.

Enquanto isso, no escritório de advocacia "Steinberg & Associados", Lucas recebe uma grata surpresa.

<Dóris> Ai, eu tenho uma boa notícia.
<Lucas> Você vai mudar seu corte de cabelo?
<Dóris> Não, eu fui demitida do meu novo emprego. O consumo de cafezinho da empresa multinacional aumentou em 547% nos 30 minutos que trabalhei lá.
<Lucas> Mas isso é uma boa notícia?
<Dóris> Sim, porque eu consegui pegar três saches de adoçante e ninguém percebeu.
<Lucas> Então volte a trabalhar aqui. Apesar de tudo o que aconteceu, o escritório acabou sobrevivendo.
<Dóris> Eu estou mais por fora que bunda de índio. O que aconteceu?
<Lucas> A Clara foi internada em um manicômio. Mas eu tenho certeza que ela é inocente...

 
Lucas começa a explicar todos os acontecimentos para Dóris, que ouve atentamente.

Na casa dos Steinberg, Griselda e James cuidam dos serviços domésticos como haviam combinado com a Criada. A vovó termina de pendurar as roupas no varal quando James aparece...

<James> Senhora, eu tenho uma má notícia.
<Griselda> Tem mais calças do Bruno para lavar?
<James> Não, eu constatei na bula que seu consumo de remédios misturados pode causar reações estranhas de comportamento.
<Griselda> Eu sei disso, mas este é um assunto proibido como o meu tratamento capilar com óleo quente.
<James> Mas que diferença faz o que a senhora utiliza no cabelo?
<Griselda> Eu não uso no cabelo...

No mesmo momento, Lucas e Dóris continuam conversando quando são interrompidos...

<Lucas> O que é isso?
<Jhacy> Olá meus funcionários. Eu sou a antiga Criada e agora sou uma nova mulher. Passei no astrólogo, mudei meu nome para Jhacy, estou com novo visual, irei assumir esse escritório e vou colecionar o faqueiro da Ilha de Caras.
<Lucas> Calma, é muita informação. Meu cérebro não está processando...
<Dóris> Mas que vestimentas indecentes são essas?
<Jhacy> Eu mandei fazer no alfaiate da esquina. É uma roupa muito chique e elegante que só as pessoas inteligentes conseguem ver.
<Lucas> Adorei a cor do tecido!
<Dóris> O modelo ficou um arraso!

 
Jhacy agradece os elogios e acerta a readmissão de Dóris como secretária. Em seguida ela convoca uma reunião extraordinária para juntar idéias revolucionárias para o escritório.

Em outra parte da cidade, Ana e Alexandre se encontram no salão central do aeroporto internacional.

<Ana> E então, comprou as passagens?
<Alexandre> Sim minha oncinha. Também já conferi o dinheiro na minha conta. Vamos direto para a África e depois a gente decide onde irá morar.
<Ana> Que ótimo, desde que o Simba Safári fechou eu sempre quis ver outras onças de perto.
<Alexandre> Mas o mais importante é que estamos juntos e a sinceridade é a base da nossa relação.

 
Ana e Alexandre fixam o olhar um no outro. A certeza de que os dois estão fazendo a coisa certa acaba invadindo suas mentes. O amor entre eles iria ajudar a superar as dificuldades. Mas uma pessoa esbarra em Ana...

<Mulher> Olha aqui filhinha, você pensa que é uma mulher da vida pra ficar parada no meio do caminho?
<Ana> Ah? Abriram a jaula dos macacos? O que você está fazendo aqui? 
<Mulher> Agora que estou te reconhecendo fofa. É a mulher com o espírito da onça maléfica que me mordeu no Templo da Eternidade!
<Ana> E daí?
<Mulher> Ai! Eu sempre fui denegrida pelas minha opção!
<Ana> O quê? Eu não falei nada...
<Mulher> Aposto que você ficou aí no meio do caminho de propósito para me denegrir. E aposto que você esqueceu metade da bagagem em casa!

  
Ana olha para a mulher e percebe que não vale a pena discutir com ela. Ana puxa Alexandre e vão para o piso superior sem dar atenção aos berros histéricos da mulher.

Bem longe dali Jhacy finaliza sua reunião de idéias revolucionárias com Dóris e Lucas no novo escritório de advocacia "Jhacy, a Indomável & Associados". Bruno entra rapidamente sem cumprimentar ninguém e vai até a sala de Carlos Henrique. Jhacy o acompanha.

<Jhacy> Oi amor. Eu troquei meu nome, já assumi meu posto de chefinha e troquei o nome do escritório também.
<Bruno> Tudo bem.
<Jhacy> Também tenho novos planos. Esse treco de advocacia é muito chato. A gente poderia oferecer o serviço de correio do amor. Acontece cada coisa no correio do amor...
<Bruno> Tudo bem.

  
Jhacy percebe que Bruno está meio desatento. Ele encontra uma caixa, abre com uma chave e pega algumas folhas de papel. São os documentos que transferem todos os bens herdados por Jhacy para Bruno. Ele enfim se acalma e olha atentamente para ela.
  
<Bruno> Que roupa é essa?
<Jhacy> É minha roupa especial que só as pessoas inteligentes podem ver.
<Bruno> Ah bom... Então prove que você me ama e assina estes papéis.
<Jhacy> É claro que eu te amo e eu faço qualquer coisa por você meu tesouro.


Dóris entra na sala.

<Dóris> Alguém quer café? Aproveitem que eu não bebi tudo ainda.
<Jachy> Essa caneta está falhando.
<Dóris> Deixa que eu te empresto outra caneta chefinha.

 
Dóris se atrapalha e acaba derrubando café nos papéis. Bruno se irrita...
 
<Bruno> Dona Dóris, você não havia se demitido?
<Dóris> Eu sou como iô-iô... Vou, mas volto.
<Bruno> E ainda fica fazendo burrada pra variar. Eu vou jogar esses papéis no lixo.
<Dóris> Calma, ainda dá para lamber o café das letrinhas.

 
Bruno tenta manter a calma, pega rapidamente os documentos e joga no lixo. Em seguida, chama Lucas e pede para ele buscar uma caixa lacrada com a cópia dos papéis na sua casa.

Enquanto isso, Griselda leva roupas limpas até o quarto de Clara e começa a relembrar bons momentos que teve com a netinha. James entra em seguida.

<James> Algumas peças não estão secando...
<Griselda> Ah... Eu estou com saudades da Clara...
<James> A senhora Clara sempre foi muito unida com a senhora.
<Griselda> É complicado acreditar que minha netinha tenha matado o próprio pai. A Clara sempre foi um anjo e tirava nota boa na aula.
<James> Por que a senhora não faz uma visita para ela?
<Griselda> Boa idéia! Vou levar junto o livro que veio de brinde com minhas pastilhas Benalet.

Em frente ao edifício do escritório, Lucas caminha em direção à casa dos Steinberg para pegar a caixa de Bruno. Ele repara que há uma pessoa caída sobre um toldo.

Lucas olha bem para o rosto da moça. É a Yara. Ele percebe que ela ainda está respirando, meio desacordada. Lucas pensa um pouco e tem uma idéia...

No aeroporto internacional, Ana aguarda o vôo com Alexandre. Ela começa a relembrar a conversa com a Dulce Falsa e fica com a sensação de que realmente esqueceu de alguma coisa. Ana busca na memória e se lembra: esqueceu de se despedir de Bruno. Ela telefona para o filho enquanto Alexandre vai ao banheiro.

<Ana> Bruno, meu filho querido, eu estou indo embora do país.
<Bruno> Como assim?
<Ana> Eu e o Alexandre tomamos esta decisão e decidimos ser felizes bem longe daqui.
<Bruno> Mas você tem coragem de abandonar sua família? Eu estou muito confuso, queria o seu apoio...
<Ana> Abandonar qual família? Nós não somos mais uma família. Um pai morto, uma filha assassina e outra filha drogada... Isso parece o circo dos horrores.
<Bruno> Mãe, eu preciso te dizer uma coisa... Eu sei que o Carlos Henrique não é meu pai verdadeiro. E eu quero saber quem é o meu pai.
<Ana> O quê? Claro que ele é seu pai.
<Bruno> Eu não sou mais nenhuma criança, eu ouvi a discussão que vocês tiveram.
<Ana> Mas isso era só uma brincadeira da gente. Ele é seu pai sim!

Bruno fica perplexo e perde os sentidos por alguns instantes. Ele desliga o telefone. Dúvidas percorrem sua cabeça... Será que isso é verdade? Será que ele havia matado seu próprio pai? Ou sua mãe estava mentindo? Por que ele resolveu perguntar isso para ela nesse momento? E qual o significado real do bilhete que encontrou no terraço, marcando o encontro? Ele pensa por alguns minutos. Era muita pressão. Bruno olha o relógio: 13:45. E decide ir realmente ao encontro. Ele vai até a sala da gaveta proibida e pega algumas coisas. Em seguida esbarra em Jhacy...

<Jhacy> Você está muito estranho hoje querido...
<Bruno> É impressão sua...
<Jhacy> Mas o mau hálito continua igual...

 
Jhacy dá um beijo em Bruno. Eles se abraçam. Bruno diz que vai resolver algumas coisas e se despede de Jhacy.

Enquanto isso, Lucas chega ao manicômio arrastando Yara. Griselda encontra o rapaz.

<Griselda> O que você está fazendo aqui com a Yara?
<Lucas> Encontrei ela desmaiada na rua e tive uma grande idéia. Vou trocar a Clara pela Yara no manicômio.
<Griselda> Eu não vou permitir isso...

Alguns minutos depois Bruno chega ao parque.

Ele olha para os lados, desconfiado... E coloca a mão sobre o bolso, sentindo a arma que havia levado. Em seguida, vai para um local bem aberto, onde tem uma visão geral do ambiente. Bruno olha o relógio: 14:00. Um vulto sobre uma árvore mira uma arma lentamente no rapaz. Uma bala é disparada, assustando as lhamas e as corujas. Bruno leva um tiro no peito e desaba no chão.

E, no aeroporto, Alexandre finalmente sai do banheiro e encontra Ana.

<Ana> E aí, acertou direitinho? Foi bom pra você?
<Alexandre> Sim, desta vez ocorreu tudo bem. Até lavei as mãos...
<Ana> Que ótimo! Ainda bem que te desejei boa sorte.
<Alexandre> Mas eu ouvi sua conversa no telefone com o Bruno pela porta do banheiro. Nós combinamos não ter segredos entre a gente...
<Ana> Eu sei...
<Alexandre> Então, quem é o verdadeiro pai do Bruno?

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