Capítulo 10 (Parte 1)
Encontro Final

James procura o testamento mais uma vez no cofre.

<James> Não tem mais nada aqui dentro.
<Dóris> Eu não estou entendendo... Onde ele pode ter ido parar?

Na cozinha, Ana e Alexandre percebem a presença de Yara.

<Yara> Pô... Dona Ana e seu Alexandre juntos... Tô ligada... Vocês dois sempre enganando a galera...
<Ana> Calma filha, não é isso que você está pensando.
<Yara> Eu não tô pensando nada, morô? Só tô vendo a sacanagem. Quem diria... Minha coroa junto deste coió...
<Alexandre> Ana, por mais que você goste da sua filha, ela é uma vagabunda e não vai guardar nosso segredo. É melhor a gente se livrar dela...

Enquanto isso, na biblioteca...

<Dóris> O que é este envelope em cima da mesa?

Dóris abre o envelope e encontra uns papéis. Bruno confere as folhas.

<Bruno> É o testamento... Estava o tempo todo ali.

Dóris dá um grito de emoção. Ana, Alexandre e Yara ouvem e vão até a biblioteca.


<Ana> O que está acontecendo aqui?
<Dóris> A gente finalmente encontrou o testamento do Carlos Henrique...
<Ana> Então lê ele de uma vez!
<Bruno> As letras estão meio apagadas e está muito escuro aqui. Vamos para a sala.

Chegando lá, Bruno começa a ler em voz alta cada frase, cada palavra e cada vírgula do testamento. A tensão vai crescendo nas pessoas ao seu redor. Em pouco tempo o destino de toda uma família iria ser decretado.

<Bruno> "E em plenas condições de saúde deixo todos os meus bens para Jaci Jericó".
<Ana> O quê? Quem é este cara?
<James> Eu sei... Ele é o amante do Carlos Henrique.
<Ana> O quê?
<James> Vou explicar tudo...

Quando eu fui limpar a biblioteca, após o enterro do senhor Carlos Henrique, encontrei um bilhete amarelo.
 
 
Capítulo 4
<Clara> O que você está fazendo James?
<James> Nada senhora.
<Clara> Que papel amarelo é este que você está tentando esconder?
 
   

Eu acabei disfarçando quando a Clara perguntou sobre o papel. Ela é muito jovem para estes assuntos. No bilhete estava escrito: "Amor, me encontre às 14:00 horas no Parque Central da cidade. Jaci". Era totalmente evidente que o senhor Carlos Henrique tinha um caso fora do casamento.
  

Capítulo 9
<Griselda> Tudo bem. O que você disse antes mesmo?
<James> Eu descobri a pessoa que era amante do senhor Carlos Henrique. Já faz algum tempo, mas eu tinha esquecido de contar para a senhora. É um homem ou travesti que tinha um caso com ele.
  

Acabei conversando com a senhora Griselda sobre isso. E nós concluímos que a amante ou o amante dele só poderia ser a sósia da Dulce Castilho que a Ana encontrou no Templo da Eternidade.
  

Capítulo 7
<Ana> Pára de se fazer de sonsa Dulce Castilho!
<Mulher> Eu não sou a Dulce. Eu sou cover dela, fiz operação e  tudo pra colocar silicone filhinha. Eu sou transformista!

  

O senhor Carlos Henrique teria ele ou ela como amante simplesmente porque é parecida com seu grande amor do passado: Dulce Castilho.

A Criada entra na sala.

<Criada> Bom raciocínio James... Mas na verdade essa mulher ou homem aí não tinha um caso com o Carlos Henrique. A amante dele era eu!

Todos ficam surpresos.


<Yara> Putz... É fogo na bomba! Isso tá ficando interessante...
<Ana> O quê?
<Criada> Vou contar tudo...

Vocês sempre acharam que eu era um ser insignificante, uma pessoa invisível na casa. Todos sempre me tratavam mal ou com indiferença. Exceto o Carlos Henrique... Ele me olhava de um jeito louco... Um dia não pudemos evitar e aconteceu... Primeiro foi na cama do quarto dele, depois foi no tapete de oncinha da mocréia... Acho que ninguém nunca desconfiou! Até quando o James me deu a notícia da morte dele eu disfarcei muito bem...
  

Capítulo 2
<James> O senhor Carlos Henrique faleceu.
<Criada> É mesmo? Então aquele biscoito da sorte estava certo...

  
  

Então o amor do meu Carlos era tão grande que ele acabou fazendo este testamento só por precaução, deixando tudo para mim...

Todos olham para a Criada desconfiados.

<James> Então o seu nome é Jaci Jericó.
<Criada> Isso mesmo. É um nome tão feio que eu sempre preferi ser chamada de criada mesmo...
<James> Eu até pensei que isso era nome de homem...
<Alexandre> Mas espera aí... Então foi a criada que matou o Carlos Henrique... Ela escreveu o bilhete atraindo ele para o parque e o matou lá. Isso para ficar com toda a fortuna dele.
<Criada> Eu...
<Yara> Meu... Então é isso... Foi tu que apagou meu coroa!
<Criada> Não fui eu! Qualquer pessoa que soubesse do nosso caso poderia ter deixado este bilhete aí... Esta letra nem é minha...
<Ana> Não foi ela não... Vou explicar...

No dia em que morreu o Carlos Henrique eu cheguei em casa com minhas compras do shopping...
  

Capítulo 1
<Ana> James, me ajuda com estas sacolas.
<James> Sim senhora.
<Ana> Cadê o Carlos Henrique?
<James> Acho que seu marido saiu senhora.

  
Eu fui até meu quarto guardar todas as sacolas. Quando entrei ouvi um barulho no meu banheiro. Eu abri a porta, que estava emperrrada. A criada ficou presa lá dentro durante algumas horas. E foi também por causa desta porta emperrada junto com o sistema de aquecimento desregulado que eu desmaiei aquela vez no banheiro.

  
Capítulo 4
<Dóris> Dona Ana?
<Criada> O que houve?
<Dóris> Ela não está respirando...

  

Ah... Agora percebi. Então isso tudo que aconteceu foi um mero acidente. Ninguém queria me matar. Até mesmo naquele momento a própria criada ficou muito aflita para me ajudar porque já tinha ficado trancada lá e sabia como isso era ruim. Então não foi a criada que matou o Carlos Henrique porque ela estava em outro lugar na hora do crime...

A Criada fica aliviada sem o peso de ser acusada...

<Ana> Mas o pior de tudo é que todos os bens da família vão para a criada.
<Bruno> Mas não tem nenhuma propriedade ou conta de banco em seu nome?
<Ana> Não. Nos primeiros anos do meu casamento eu transferi tudo para seu pai. Eu odiava cuidar destes assuntos burocráticos.
<Yara> É fogo na bomba! Então nossa família está na miséria? Isso é demais para minha inteligência. Vou cair fora...
Enquanto, no andar superior da casa, Griselda e Clara conversam...

<Clara> Vó, que bom que a gente veio pro meu quarto, eu acho que as baratas do seu quarto são muito feias...
<Griselda> Precisamos mesmo fazer uma detetização lá.
<Clara> Vó, será que tem visita? Eu ouvi vozes antes lá embaixo.
<Griselda> Não sei.


Griselda olha o relógio.


<Griselda> Está na hora de tomar meu remédio, já volto

Na sala, todos ainda ficam em dúvida sobre a verdadeira identidade do assassino de Carlos Henrique.

<Dóris> Eu preciso dizer algo importante... Eu sei quem matou o fofinho, quer dizer, o Carlos Henrique. Foi o seu Alexandre!

O Carlos e o Alexandre sempre brigavam muito no escritório. O Alexandre acusava o Carlos Henrique de ser incompetente e de estar afundando os negócios. E o Carlos acusava o Alexandre de desviar dinheiro. Eu sempre ouvia tudo, mas nunca comentei com ninguém porque sou uma profissional. Eu tive a certeza de que o assassino é o Alexandre quando ele me pediu uma coisa...
  

Capítulo 7
<Alexandre> Dona Dóris, se alguém perguntar, você deve confirmar que na tarde do assassinato do Carlos Henrique eu estava aqui no escritório.
<Dóris> Mas isso é mentira...
  

O Alexandre passou esta tarde fora do escritório. Por que ele me pediria isso? Foi ele que matou o Carlos Henrique.

Todos se entreolham surpresos novamente. Ana decide falar.

<Ana> Bem, acho que não podemos mais esconder Alexandre... Preciso te defender...
<Alexandre> Cansei disso tudo. Pode contar.
<Ana> Eu e o Alexandre somos amantes. Nós estávamos juntos naquela tarde.
<Alexandre> Eu pedi para a Dona Dóris mentir por causa da Yara. Ela estava muito rebelde, poderia descobrir tudo a qualquer momento.
<Ana> E é claro que a culpa toda do assassinato cairia sobre eu e o Alexandre, porque a gente estava enganando o Carlos Henrique. Não queríamos que ninguém soubesse do nosso caso, mas a Yara pegou a gente se agarrando na cozinha e é claro que iria acabar contando para todos.
<Bruno> Mãe, você traia o papai então? Eu não acredito...
<Ana> Você não pode me julgar... Ele estava me traindo com a própria criada dentro da nossa casa. Nós também brigávamos muito...
<Bruno> Mas por que vocês não se divorciaram?
<Ana> Por causa da sociedade... Seria um escândalo. Poderia até prejudicar os negócios da empresa. A própria festa de Bodas de Prata que a gente iria fazer era para mostrar a todos que nosso casamento estava bem. E também por causa da Clara. Ela não iria entender nunca...

No outro canto da sala, Alexandre se aproxima de Dona Dóris.

<Alexandre> Você está demitida!
<Dóris> Eu já tinha me demitido antes. Até já arrumei todas minhas coisas. Foi por causa disso que encontrei a chave do cofre atrás do retrato do fofinho, quer dizer, do Carlos Henrique.


Os dois se despedem de todos e vão até o escritório acertar as contas. Logo depois, Griselda entra na sala completamente tonta, segurando um frasco de remédio e cai no chão.

James põe a mão no coração dela.

<James> Eu acho que a senhora Griselda está morta.
<Ana> O quê? Era só o que faltava, mais um Steinberg morto... Daqui a pouco esta casa vai virar uma funerária...
<James> Eu sabia... Este vício dela iria acabar nisso...
<Ana> Como assim?
<James> Vou contar tudo...

Um dia antes da morte do Carlos Henrique, a senhora Griselda veio me procurar. Ela revelou que era viciada em alguns tipos de remédios. O estoque que ela tinha roubado de uma farmácia e escondia há tempos embaixo da cama havia acabado. Ela queria que eu arrumasse uma receita médica falsa para conseguir comprar mais remédios para ela.
  

Capítulo 1
<Griselda> O que você está fazendo aqui no quarto da Clara?
<James> Eu vim falar com a senhora.
<Griselda> É perigoso... Mas você fez o que eu pedi?

  

Uma amiga minha é secretária de um médico e acabei conseguindo falsificar uma receita com papel timbrado e o carimbo do médico. Então só faltava comprar a primeira remessa que eu iria entregar para a senhora Griselda.
  

Capítulo 6
<James> Senhora, eu posso sair para resolver alguns assuntos pessoais?
<Ana> Está bem, mas vai pela sombra...

  

Fui à farmácia, sem levantar muitas suspeitas. Logo depois passei no Templo da Eternidade para falar com a senhora Griselda.

  
Capítulo 7
<Griselda> Trouxe o que eu pedi?
<James> Sim senhora.
<Griselda> Ótimo, é bem melhor a gente se encontrar aqui.

  

Então entreguei o pacote com os remédios. Ela desconfiava de todos, pensava que as pessoas poderiam descobrir isso. A Clara também era muito próxima da avó, a senhora Griselda tinha muito medo mesmo. Bem, mas então ela deve ter tomado todos os remédios de uma vez e acabou falecendo.

Todos ficam mais uma vez surpresos com estas revelações.

<Bruno> Mas por que a vó tinha vergonha dos remédios? Qualquer velho toma remédio...
<James> Você não sabe qual o tipo de remédio que ela tomava. Muitos eram de tarja preta, mas tinha vários laxantes na lista.
<Criada> Então é por isso que aquele vaso sanitário do banheiro estava sempre entupido. Ela sempre culpava os vermes do Carlos Henrique. Como diria a Yara, era ela mesma que "liberava o moreno" lá.
<Ana> Agora também entendi porque ela gostava tanto daquele vaso sanitário com flores completamente horrível que tem no quarto dela.
<Bruno> E eu também percebi agora de quem a Yara herdou o vício. Isso deve estar no sangue dos Steinberg.


Ana olha para Griselda, caída no chão. Ela se abaixa para fazer o tradicional ato de fechar os olhos do defunto. Ana aproxima a mão do rosto de Griselda. Quando chega bem perto, Griselda arregala os olhos e a morde. A avó se levanta rapidamente.

<Griselda> Pensavam que eu estava morta? Ainda irei viver muito!
<James> Desculpa senhora Griselda, eu revelei todo seu segredo porque pensei que a senhora tinha falecido.
<Griselda> Eu não morri não, apenas estava com o intestino preso.
<Bruno> Mas eu não entendo, parecia que estava morta mesmo...
<Griselda> Foi um milagre do Poderoso Guru do Templo da Eternidade. Ele tirou o demônio de mim...
<Criada> Deve ter tirado mesmo, porque o cheiro está muito esquisito aqui...


Todos saem rapidamente do local e vão para a sala ao lado.


<Ana> Bem, aqui o ar está menos tóxico. Então este era o mistério da Griselda... Mas quem matou o Carlos Henrique então?

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