Capítulo 9
Chave do Mistério

Ana olha o pacote novamente. Por um instante parece não acreditar nas palavras escritas na etiqueta: "Dulce Castilho".

<Ana> Como este pacote veio parar aqui?
<Criada> Não sei mesmo porque eu não tenho nada a ver com isso e...
<Ana> Pára de falar! Olha só... Você e meu apêndice... Desnecessários... Entendeu? Não precisa responder.


Ana rasga o pacote e encontra uma fita cassete. Ela fica curiosa e coloca a fita no aparelho de som...

Ana ouve diversas locuções de comerciais mais antigos com a voz de Dulce. Um deles chama sua atenção:

Concurso dos Vinhos Daffê
Junte cinco embalagens e envie para o endereço indicado no rótulo. Participe! É fácil ganhar. São vários premiados. O primeiro já foi. O próximo pode ser você.


Ana fica impressionada. As duas últimas frases são idênticas à ameaça que estava na secretária eletrônica do seu celular. Ela conclui que qualquer pessoa pode ter utilizado esta fita para assustá-la.

Enquanto isso, James continua sua conversa pelo telefone com Griselda.

<Griselda> Mas eu não entendi por que você me ligou aí de baixo pela extensão...
<James> Eu sempre quis ficar embaixo da senhora, quer dizer, é muito perigoso a gente se falar pessoalmente senhora.
<Griselda> Tudo bem. O que você disse antes mesmo?
<James> Eu descobri a pessoa que era amante do senhor Carlos Henrique. Já faz algum tempo, mas eu tinha esquecido de contar para a senhora. É um homem ou travesti que tinha um caso com ele.
<Griselda> O quê? Meu próprio filho tendo um caso fora do casamento? Estou muito orgulhosa...

No outro lado da cidade, Bruno e Yara enfrentam Alexandre.

<Yara> Eu duvido que tu atire na gente.
<Alexandre> Duvida mesmo? Essa arma já disparou uma vez...
<Yara> É fogo na bomba! Eu sabia! Tu apagou meu pai.
<Alexandre> Não fui eu... A única vez que esta arma disparou foi para impedir o Tiririca de gravar outro disco.
<Yara> Bruno, tu tinha razão... Uma parte dele ainda funciona...
<Alexandre> Chega de enrolação, me entreguem estes documentos.


Yara tenta sair rapidamente, mas Alexandre impede e a toma como refém. Ele a segura com uma chave de braço, mirando a arma na sua cabeça.

<Alexandre> Entrega agora estes papéis senão sua irmã vai virar um monte de carne jogada no chão...
<Yara> Não entrega esses lance não! Esse coió não vai fazê nada.


Alexandre se zanga e dá um tapa em Yara. Ela aproveita a falta de atenção dele e o morde. Alexandre, sem querer, solta Yara.

<Yara> Corre mano, vamô cair fora deste cafofo.

Os dois irmãos começam a correr, mas se esquecem que o chão está molhado. Eles escorregam e caem. Alexandre se recupera da mordida e arranca a pasta de papéis de Bruno.

<Alexandre> Agora sim é melhor vocês dois sair já antes que eu chame a polícia.


Bruno e Yara percebem que perderam a batalha e vão embora. Alexandre vai até a sacada do seu apartamento e queima os papéis na churrasqueira.

<Alexandre> Nem sei por que guardei tudo isso. É melhor se desfazer de uma vez. Espera aí, eu estou falando sozinho...

Todas as trapaças e roubos vão se transformando em cinzas e fumaça. Alexandre vai observando as chamas consumindo os papéis. O ódio do fogo, transformando tudo em nada, reflete nos seus olhos. Ele pensa profundamente em mudar de vida.

Na casa dos Steinberg, Griselda entra em seu quarto e se depara com Clara.

<Clara> Vô, o que é isso?
<Griselda> Clara, isso é muito perigoso, é uma arma.


Griselda tira a arma das mãos da neta.


<Griselda> É... uma arma de caçar esquilos do seu avô.
<Clara> Uma calibre 45?
<Griselda> Como você sabe?
<Clara> Está escrito aqui...
<Griselda> Esquece que mexeu nisso, tá bom? A vó vai ler aquela estória do livro que veio de brinde com o catálogo de moda para você.
<Clara> Oba!

Enquanto isso, James repassa uma ligação telefônica para Ana.

<Ana> Alô?
<Homem> Boa tarde. Eu sou funcionário da companhia telefônica, a senhora havia pedido a identificação de um número.
<Ana> Claro.


O funcionário vai dizendo cada dígito do número, calmamente. Ana vai percebendo, pouco a pouco, uma coincidência com um número que conhece. A expectativa vai aumentando, como em um sorteio da loteria. O funcionário revela o último dígito.


<Ana> O quê? Tem certeza?
<Homem> Absoluta, checamos tudo.
<Ana> Mas este é o número da minha própria casa!
<Homem> Bem, já resolvemos o problema que a senhora passou. A nossa companhia telefônica agradece seu contato. Tenha uma boa tarde.


Ana fica completamente surpresa. Então alguém bem próximo queria assustá-la. Ela percebe que James está por perto e vai até seu quarto telefonar para Alexandre.

<Ana> Oi meu amor... 
<Alexandre> Oi minha oncinha...
<Ana> Eu estou apavorada... Descobri que aquela ameaça da Dulce na verdade é uma gravação e a pessoa que deixou o recado no meu celular usou o telefone aqui de casa.
<Alexandre> Mas qual a hora que foi deixado este recado?
<Ana> No celular dizia que eram mais ou menos 10 horas. Não sei se foi de noite ou de manhã.
<Alexandre> À noite teve o velório do Carlos Henrique, havia muita gente na sua casa.
<Ana> Amor, estou muito assustada...
<Alexandre> Calma, eu vou passar aí.

No quarto de Griselda, a avó termina de ler a estória para a neta.

<Griselda> Então a vovozinha jogou fora todos os trapos do seu guarda-roupa e comprou um vestido Versaci, um chapéu Armani, perfume Hugo Boss e meias da Ellus, conquistando todos os homens da aldeia, que ficavam admirando a incrível beleza de sua roupa e viraram seus eternos escravos.
<Clara> Nossa vovó! Que final estranho.
<Griselda> Estes livros que vem de brinde com o catálogo de moda só tem propaganda.
<Clara> Vó, eu lá no meu quarto pegar papel e lápis de cor para fazer um desenho da estória...

Na empresa Steinberg & Associados, Dóris arruma suas coisas para ir embora.

<Dóris> Ai meu fofinho. Vou levar seu retrato, acho que ninguém vai perceber.

Dóris tira o quadro da parede e percebe um pequeno objeto encaixado atrás da moldura do quadro. Ela puxa com cuidado e olha de perto. É a chave do cofre. Lucas se aproxima.

<Lucas> Puxa, este lugar vai ficar muito triste sem você aqui.
<Dóris> Claro que não, eu achei...
<Lucas> Eu também sempre achei que era um lugar bom para trabalhar com meus chefinhos e com uma secretária legal...
<Dóris> Não é isso... Você nem sabe o que encontrei.
<Lucas> Encontrou um bom lugar para trabalhar, quando veio parar aqui e conheceu todos.
<Dóris> Pára com isso! Eu achei a chave do cofre!
<Lucas> Mesmo? Estava todo mundo procurando... Vai até a casa dos Steinberg entregar para eles.
<Dóris> Eu não vou entregar não. Se o Carlos Henrique escondeu é porque não queria que ninguém abrisse o cofre.
<Lucas> Ele não sabia que iria morrer. Mas se ele deixou um testamento é óbvio que queria que fosse aberto. Talvez ele até tenha até deixado algo para você.


Dóris se convence e vai até a casa dos Steinberg.

Enquanto isso, Clara entra em seu quarto e encontra a Criada mexendo em suas coisas.

<Clara> O que você está fazendo?
<Criada> Eu estava procurando a chave do cofre. Aqui era o último lugar da casa que faltava procurar. Mas não achei nada... Quer dizer, eu até tinha encontrado uma chave antes. Tentei abrir o cofre, mas não funcionou. O James me disse depois que era uma chave de fenda.
<Clara> Eu queria te perguntar uma coisa... O que é o amor?
<Criada> Que pergunta estranha...
<Clara> Sabe, eu fiz respiração boca a boca no Lucas como você e meu irmão estavam fazendo. Fiquei muito feliz.
<Criada> O amor é assim. Aparece em um instante. Mas pode durar eternamente. Precisamos aproveitar cada momento da nossa vida.
<Clara> Mas a mamãe apareceu e ela disse que não queria eu junto com a ralé.
<Criada> Então ela também vai ser contra minha relação com o Bruno...


As duas prometem se unir para conseguir buscar a felicidade em seus destinos.

Enquanto isso, Alexandre entra pelos fundos da casa e encontra Ana na cozinha.

<Alexandre> Oi minha oncinha... 
<Ana> Oi meu amor...
<Alexandre> Queria te fazer uma proposta... Vamos fugir desta cidade com todo o dinheiro que eu desviei da empresa?
<Ana> Eu não posso, por causa da Clara. Ela é muito frágil, precisa de mim...
<Alexandre> Sabe, não agüento mais olhar para você sem fazer nada...


Os dois se esquecem por um instante onde estão e se beijam. Yara entra no local.

<Yara> Putz... É fogo na bomba!

Dóris chega na casa e toca a campainha. Bruno aparece logo depois, meio dolorido.

<Dóris> Se machucou seu Bruno?
<Bruno> Eu escorreguei na rua, mas já estou melhor.
<Dóris> Tenho uma grande novidade. Encontrei a chave do cofre.

Bruno fica surpreso. James abre a porta da casa. Dóris explica tudo para o mordomo e os três vão até a biblioteca.

James abre o cofre com a chave e retira uma pasta de papéis. Ele procura rapidamente o testamento. Dóris ajuda o mordomo.

<Dóris> Eu não acredito, não encontrei nada.
<James> O testamento realmente não está aqui.
Ele sumiu.

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