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Capítulo
8
Contatos Imediatos

Ana
insiste...
<Ana> O que o James foi fazer lá no templo?
Responde...
<Griselda> É que... é... eu preciso ir no banheiro...
Ana puxa Griselda pelo braço.
<Ana> O que tinha dentro daquele pacote?
<Griselda> Era... era minha sombrinha. Pronto! O James é um mordomo
dedicado, ele se preocupa muito comigo. Nunca se sabe quando pode chover,
eu poderia pegar uma pneumonia e morrer de resfriado.
<Ana> Eu já estou cansada de saber que você não se dava bem com
seu filho Carlos Henrique.
<Griselda> O quê? Está duvidando de mim? Uma pobre velhinha? Eu
nem tenho força para segurar uma arma. E você, hein... Vivia discutindo
com seu marido... Evitou entrar em contato com os policiais, dizendo que
eles são incompetentes... Não sei não... Parece que nem quer descobrir
quem é o assassino.
<Ana> A polícia daqui é incompetente sim e eu nem estou fazendo
muita questão mesmo de saber quem foi. O Carlos Henrique não está
fazendo nenhuma falta... E cadê a Clara?
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No jardim da casa, Clara e
Lucas terminam o longo beijo. Os dois se entreolham em silêncio por
alguns instantes.

<Clara>
Salvei sua vida. As pessoas que ficam sem fôlego podem ir para o céu...
<Lucas> Nossa... Você deveria praticar mais vezes esta boa ação.
<Clara> Eu acho que estou sentindo uma coisa que a vovó falou: o
amor.
<Lucas> E eu estava profundamente enganado. Agora descobri quem é
minha verdadeira morena de tirar o fôlego...
<Clara> Gostei muito de você. Eu te imaginava me agarrando naquele
corredor durante o velório do papai, hihihi.
<Lucas> Acho que estou perdendo o fôlego novamente, é melhor você
me salvar.
Eles se aproximam. Clara passa as mãos nos cabelos azuis de Lucas e olha
profundamente em seus olhos, tentando enxergar sua alma. Ela toca os lábios
na boca de Lucas... Ele ouve alguns passos na grama. Os dois se afastam
levemente.

<Ana>
O que está acontecendo aqui?
<Clara> Mamãe, eu gosto do Lucas.
<Ana> Não acredito... Era só o que faltava... Minha filha
agarrando o estagiário. Não quero você namorando um zé ninguém!
<Lucas> Eu não sou isso não... Já fui funcionário do mês quando
trabalha no Mc Donald's e fiz um curso daquele programa famoso, o
WorldExcel.
<Ana> Mesmo? Apesar do seu passado brilhante você não tem
dinheiro.
<Clara> Eu posso emprestar dinheirinho pro Lucas do meu cofrinho.
<Ana> Ah, claro. E você vai construir uma mansão naquele jogo The
Sims para morar até o resto da vida. Filha, isto é o mundo real, não é
sua casa de bonecas!
<Clara> Mas o papai não era pobre quando você se casou com ele?
<Ana> Isso é outra estória bem diferente... A gente fez um
acordo...
<Lucas> Dona Ana, lembrei de algo importante. Tenho que contar o que
descobri sobre a Dulce Castilho...
Lucas suspira fundo. Ana encaminha o garoto até a sala para ele explicar
tudo. |
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Na praça, Bruno fica pasmo
com o que lê nos papéis de Alexandre.

<Yara>
E aí mano, o que tá escrito nessas parada?
<Bruno> O Alexandre desviou muito dinheiro da empresa. Muito
mesmo... Mais até do que o pai tinha dado de prejuízo...
<Yara> É fogo na bomba! Eu sabia, aquele coió não me engana.
Desgraçado... A gente precisa colocar este safado em cana.
<Bruno> Mas precisamos de mais provas...
<Yara> Só se a gente ir no cafofo dele pegar. Tinha mais um monte
dos papel lá.
<Bruno> Poxa, mas é isso é invasão de domicílio.
<Yara> Cara, tu tá com medo? Este jumento roubou a nossa família.
E a gente pode meter ele nas cadeia.
Bruno pensa um pouco e acaba concordando com a irmã. Os dois vão até o
apartamento de Alexandre. |
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Na casa dos Steinberg, Lucas
termina de contar para Ana tudo o que sabe sobre Dulce.

<Lucas>
E então o coveiro me confirmou, a Dulce foi enterrada mesmo lá...
<Ana> Não acredito...
<Lucas> Isso só pode ser coisa de outro mundo... O espírito da
Dulce veio se vingar.
<Ana> Isto é impossível, não existe...
<Lucas> Claro que existe, você nunca assistiu filme?
Ana começa a tremer. James entra na sala, percebe a situação e pega um
copo de água para a patroa. Lucas olha o relógio e se despede de todos.
Ana começa a ficar mais calma.

<Ana>
O que foi este barulho?
<James> Que barulho senhora?
<Ana> Não sei... Acho que estou ouvindo coisas...
O telefone toca. James atende e repassa a ligação para Ana.
<Homem> Boa tarde. Eu sou funcionário da companhia telefônica.
Constatamos que a senhora pediu a identificação de um número de
telefone que deixou um recado na secretária eletrônica do seu celular.
<Ana> Isso mesmo, a moça disse que não era possível descobrir o número.
<Homem> Desculpe a nossa falha, a funcionária veio confirmar
isso comigo e é possível identificar sim.
<Ana> Mesmo?
<Homem> Correto. Só preciso que a senhora me passe o número do
seu telefone celular. Em algumas horas fornecemos a informação
solicitada.
Ana informa o número do seu celular para o funcionário. Finalmente iria
saber de qual telefone partiu a ameaça de Dulce Castilho. |
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No outro lado da cidade, Bruno
e Yara chegam ao apartamento de Alexandre.

<Bruno>
O que aconteceu aqui? Isso está mais úmido que o Titanic...
<Yara> A Sandrinha deixou as torneira aberta só para zuar e
assustar o fuleiro do Alexandre.
<Bruno> Para assustar ele? Vocês deviam ter espalhado uns espelhos
pelo ambiente.
<Yara> Meu, eu até pensei nesses lance, mas a tia do Pedrinho não
emprestou os espelho do fusca dela.
<Bruno> Eu nunca tinha visto um apartamento de dois andares... Que
estranho isso...
<Yara> Eu já... Vi até prédio voando no meio da fumaça quanto
curtia os baratos...
Bruno e Yara começam a procurar os papéis comprometedores. |
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Enquanto isso, Lucas chega
cantarolando no escritório da Steinberg & Associados.

<Dóris>
Por que você está tão feliz? Alguém andou te agarrando?
<Lucas> Como você sabe?
<Dóris> Quando a gente está sentada percebe as coisas sólidas de
outro ângulo...
<Lucas> Não entendi... Cadê meu chefinho?
<Dóris> Ele deve ter ido pentear macaco...
<Lucas> Mas isso é função minha.
<Dóris> O seu Alexandre estava bem furioso. Ele ficou um tempo
trancado na sala da gaveta proibida e depois saiu...
<Lucas> Puxa, se ele estivesse aqui iria relaxar com minha massagem
entre os dedinhos. |
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Na casa dos Steinberg,
Griselda e a Criada continuam procurando a chave do cofre.

<Griselda>
Já reviramos quase a casa inteira...
<Criada> Vou procurar na biblioteca também.
<Griselda> Que ignorância, é claro que o Carlos Henrique não iria
esconder a chave lá...
Clara aparece afoita na cozinha.
<Clara> Vovó... Lê uma estória para mim,
vai...
<Griselda> A vó ta ocupada agora, Clara.
<Clara> Ah, eu queria saber a estória daquele livro que veio de
brinde com o catálogo de moda.
<Griselda> Então vai lá no meu quarto, pega o livro e fica vendo
as figuras... |
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No escritório, Lucas se
assusta com um berro de Dona Dóris. Ele vai ao encontro da amiga.

<Lucas>
O que aconteceu? Viu um mosquito?
<Dóris> Não...
<Lucas> O seu Alexandre escondeu a cafeteira?
<Dóris> Não, é bem pior. Ele escondeu os pacotes de café...
<Lucas> Vai lá e pega na gaveta proibida...
<Dóris> Não posso...
<Lucas> Está com medo da lenda da secretária que acordou sem os
rins?
<Dóris> Não... É que o seu Alexandre passou fita durex na gaveta
proibida.
<Lucas> Que desgraçado.
<Dóris> Eu preciso de cafeína! Vou lamber minha colherinha, deve
ter ainda um gostinho de café.
<Lucas> Lambe também o fundo dos copinhos de plástico que estão
no lixeiro...
<Dóris> Quer saber? Eu cansei. Isso que o chefe fez é um absurdo.
Eu vou me demitir! |
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No apartamento de Alexandre,
Bruno e Yara continuam a procura pelos papéis.

<Yara> Achou
algum treco nos quarto?
<Bruno> A coisa mais suja que achei foram as meias dele.
<Yara> Poxa, que coió... Está mergulhado num um mar de lama até
os pés...
<Bruno> Espera aí... O que esta foto da mãe está fazendo na
estante?
<Yara> Nem sei... Deve ser pros vudú com aquela galinha preta que
está no freezer junto com uma pasta de documentos.
<Bruno> Documentos?
Os dois vão até a cozinha do apartamento. Bruno pega os papéis no
freezer e dá uma verificada.
<Bruno> É isso mesmo, pena que descongelaram... Poxa, o Alexandre
roubou até os acentos das palavras.
<Yara> Não esquenta... Ele devia estar com fome...
O trinco da porta principal do apartamento se move. O barulho ecoa pelas
paredes. Bruno olha rapidamente para a porta. Ela se abre. Alexandre entra
no local...

<Alexandre>
O que vocês estão fazendo na minha cozinha?
<Yara> Sabe, é que o Mc Donald's tava fechado e a gente ficou com
fome....
<Alexandre> Isso é invasão de apartamento! Eu vou chamar a polícia.
<Yara> Chama mesmo os tiras para te prender seu ladrão. Eu e meu
mano achamos provas contra tu.
<Alexandre> Então temos que resolver isso entre a gente mesmo.
Alexandre põe a mão no paletó e puxa uma arma.
<Yara> Mas é um lelé... Eu já usei os
truque das arma de brinquedo cara.
<Alexandre> Essa arma não é de brinquedo não... |
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Na casa dos Steinberg, Clara
entra no quarto de Griselda para procurar o livro. A garota não percebe
que ele está sobre a mesa e abre as gavetas da cômoda.

Clara procura
entre as roupas da avó. Ela põe as mãos sobre os tecidos de lã e sente
algo pesado. A garota puxa o objeto para fora da gaveta: é uma arma... |
Na cozinha, James encontra a
Criada.
<James> O lixo acumulou na despensa novamente, é melhor você levar
para fora.
<Criada> Eu estava procurando a tal chave do cofre.
<James> Não discuta, faça seu serviço...
James vai até a biblioteca, verifica que não há ninguém por perto e
telefona para alguém.

<James>
Alô? Oi... Sou eu... Descobri quem era "o" ou "a"
amante do Carlos Henrique. É um homem, travesti ou algo desta espécime... |
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A Criada pega o lixo que
estava na despensa e vai arrastando pela casa. Ao passar pela sala, o saco
estoura. Ana fica muito irritada.

<Ana>
Quantas vezes eu tenho que dizer para você carregar estas coisas fora de
casa? É uma incompetente.
<Criada> Desculpa...
Ana suspira com raiva e olha para o chão. Ela vê rapidamente todas as
embalagens e restos espalhados. Um pacote fechado chama a atenção. Ana
pega ele e repara na etiqueta. Está escrito "Dulce Castilho". |
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