Capítulo 7
Momento de Fúria

Ana permanece paralisada.

<Ana> É a Dulce sim. O cabelo é igual!
<Griselda> Ah, até a vovó Mafalda pode ter um cabelo igual ao da Dulce se quiser...


Ana percorre o tapete vermelho do templo, assustada. Ela pensa em tudo o que aconteceu até agora: a morte de Carlos Henrique, o telefonema misterioso e Dóris avisando que a cantora estava morta. Tudo se embaralha e o medo se mistura com raiva. Ana chega ao lado da provável mulher.

<Ana> Eu não acredito. Sua lacraia!
<Mulher> Olha aqui filhinha, não denigre a minha imagem não, tá fofa?
<Ana> Denigrir o quê? Você está me deixando louca com sua ameaça!
<Mulher> Eu não sei o que você está dizendo fofa.
<Ana> Pára de se fazer de sonsa Dulce Castilho!
<Mulher> Eu não sou a Dulce. Eu sou cover dela, fiz operação e tudo pra colocar silicone filhinha. Eu sou transformista!
<Ana> Pára de me enganar!
<Mulher> Ai! Eu sempre fui denegrida pelas minha opção!


Ana fica muito irritada. O sangue começa a ferver. Ela se lembra do conselho de Griselda sobre a terapia do instinto. Tudo retorna à cabeça. Ana não pensa duas vezes e começa a morder a mulher.

No escritório Steinberg & Associados, Yara e Alexandre se entreolham, desconfiados

<Alexandre> Cai fora daqui, senão mando te prender novamente.
<Yara> É fogo na bomba! Mas tu não tem este direito seu assassino!
<Alexandre> O quê?
<Yara> Foi tu que apagou o meu coroa!
<Alexandre> Você não sabe o que está dizendo. Deve ter se drogado novamente.
<Yara> O meu velho tava dando o maior prejú nas empresa e tu se livrou dele.
<Alexandre> Que ridículo! Isso não é motivo para matar alguém.
<Yara> Onde tu tava nas tarde em que morreu meu pai? Diz!
<Alexandre> Eu estava trabalhando neste escritório. E você, onde estava? Tinha fugido da clínica... Totalmente louca, como sempre...
<Yara> Isso não é da tua conta!


Alexandre se irrita e tira o cinto, ameaçando bater em Yara.


<Alexandre> Mas você é uma criança mesmo... Só vai aprender a respeitar os outros quando apanhar!
<Yara> Ha ha... Tu não é meu pai seu coió. Eu vou cair fora deste erê furreco, já deixei uma surpresinha muito manera no teu cafofo!

Enquanto isso, no Templo da Eternidade, Ana continua mordendo a mulher. O Poderoso Guru pára a apresentação e todos os fiéis percebem a confusão.

<Poderoso Guru> Vejam só lobinhos, esta mulher está com o diabo no corpo! Quer dizer, olhem para a roupa dela. Deve ter baixado o espírito da onça maléfica!
<Mulher> Ai, pára de me morder filhinha, isso dói. Faz alguma coisa Poderoso Guru!


Os fiéis ficam afoitos. Todos começam a gritar "Mesa de sacrifício!".


<Poderoso Guru> Não! Não podemos sacrificar a onça. Lembrem dos mandamentos dos escoteiros: amar os animais acima de todas as coisas. E isso também faz parte da cadeia alimentar: a onça come o veado.
<Mulher> Esta doida ainda está me mordendo! Ninguém vai fazer nada?
<Griselda> Calma, daqui a alguns anos ela fica velha, os dentes ficam podres e caem...

No cemitério, Lucas continua cavando. O vulto que o observava se aproxima.

<Lucas> Quem é você?
<Coveiro> Eu sou o coveiro. O que você está fazendo?
<Lucas> Bem, é... eu quero desenterrar essa Dulce para confirmar que ela está morta.
<Coveiro> Ah bom... Pensei que era mais um procurando o tesouro dos piratas. Mas a Dulce morreu mesmo, não precisa desenterrar...
<Lucas> Como você sabe?
<Coveiro> Eu fui no enterro dela.
<Lucas> E daí, como você sabe?
<Coveiro> Fui eu que coloquei essa terra aí que você acabou de tirar.
<Lucas> Mas como sabe que ela está morta?

No Templo da Eternidade, Griselda se encontra discretamente com James perto da porta de entrada.

<Griselda> Trouxe o que eu pedi?
<James> Sim senhora.
<Griselda> Ótimo, é bem melhor a gente se encontrar aqui. Acho que as pessoas já estavam desconfiando lá em casa. A Clara não desgrudava de mim...

James entrega um pacote para Griselda e vai embora em seguida. No outro lado do templo a situação continua a mesma...

<Fiel> Mestre, se a apresentação não continuar eu vou embora.
<Poderoso Guru> Pode ir...
<Fiel> E eu não vou dar o dízimo.
<Poderoso Guru> O quê? Quer dizer, vamos acabar com isso. Assistente, traga as coisas de exorcismo.
<Mulher> Ai, nem precisa...


A mulher parecida com a Dulce dá um soco em Ana, que larga o braço dela.


<Mulher> Eu sou só cover da maravilhosa Dulce Castilho, ouviu filhinha? Vim aqui porque pensei que era um lugar de respeito, mas eu sou sempre denegrida pelas minha opção. Pensei até em doar uns trocados para o templo, mas não vou!


O Poderoso Guru se irrita e expulsa Ana do templo.

No escritório, Alexandre vai até a sala de recepção falar com Dóris.

<Alexandre> Dona Dóris, se alguém perguntar, você deve confirmar que na tarde do assassinato do Carlos Henrique eu estava aqui no escritório.
<Dóris> Mas isso é mentira...
<Alexandre> É bom você obedecer, senão eu proíbo cafeína aqui dentro! E espalho para todo mundo que você gosta de comer papel. Pensa que eu não vejo aquelas mordidas nos relatórios?


Dóris se assusta e promete confirmar as palavras de Alexandre.

No cemitério, o coveiro leva Lucas até sua casa.

<Coveiro> Aqui é meu sobradinho, menino.

Lucas se impressiona com o lugar.


<Coveiro> Eu era e ainda sou um grande fã da Dulce Castilho. Ela sempre foi uma cantora maravilhosa, perfeita. Pena que sofreu muito quando perdeu o amor de sua vida. Deste dia em diante só rolou escada abaixo. Entregou-se a todos os males do mundo. Com certeza se ela tivesse viva iria querer se vingar deste homem que arruinou sua vida...
<Lucas> Nossa, que triste... Parece que o senhor só freqüenta loja de 1,99 pra mobiliar sua casa...


O coveiro mostra para Lucas alguns discos e autógrafos, além de uma foto do enterro da cantora.

Na casa dos Steinberg, Clara olha um álbum de fotografias quando Griselda chega em casa.

<Clara> Cadê a mamãe?
<Griselda> Não sei... Ela saiu antes de mim do Templo da Eternidade.
<Clara> Vovó, por que a mamãe casou gorda?
<Griselda> A sua mãe estava grávida do Bruno quando casou com seu pai.
<Clara> Mas como ele foi parar na barriga dela?
<Griselda> Foi por osmose.
<Clara> Ah bom... Agora entendi!


Clara repara que Griselda está segurando um pacote.


<Clara> Que pacote é esse vó?
<Griselda> Não é nada... Vai, vai dar uma volta no jardim, o dia está tão bonito...

Bem longe dali, Lucas se despede do coveiro. Ele percebe que não tem dinheiro para ônibus e volta caminhando.

<Lucas> Yara? É você?
<Yara> O que tu quer sua ameba?
<Lucas> Eu fui te visitar lá na prisão, minha morena de fechar o comércio.
<Yara> Não era morena de tirar o fôlego?
<Lucas> Ah, era sim... Você quer sair comigo?
<Yara> Tu acha que eu vou dar um rolé com um babaca como tu? Vai se catar seu pereba!
<Lucas> Como assim? Eu pensei que você tinha gostado de mim...
<Yara> Eu também pensei que tu ia me tirar das cadeia. Tu é um retardado, só fala marmota, feio pra caramba, parece que vive nas manguaça. Tu nunca vai conseguir ninguém. Cai fora seu bundão!
<Lucas> Mas...


Yara se zanga e começa a jogar cacos de vidro em Lucas. Ele sai correndo. Logo depois chega Bruno.

<Yara> Pô, que bom que tu veio. Eu te telefonei por uns lance muito sério.
<Bruno> Cadê seus amigos?
<Yara> Eles viram no calendário do apartamento do Alexandre que hoje é dia da avó e foram visitar as velhas deles.

<Bruno> Vocês invadiram a casa do Alexandre? Eu não acredito...
<Yara> Mas se liga nas parada... Eu achei estes papel no apartamento daquele verme. Como tu faz as faculdade de direito, deve entender melhor este fuá.


Bruno lê rapidamente os documentos.


<Bruno> Olha, o negócio é bem pior do que você está pensando...

Na casa dos Steinberg, Lucas chega correndo, sem fôlego, para devolver a pá. Clara, passeando pelo jardim, reconhece ele. A garota percebe a falta de ar do rapaz, pensa um pouco e se aproxima. Lucas mira seu olhar triste para ela. Clara, inesperadamente, dá um intenso beijo no rapaz.

Na sala da casa, Ana encontra Griselda.

<Griselda> Onde você estava?
<Ana> Eu fui na manicure, acabei quebrando a unha nesta confusão no templo...
<Griselda> Eu também já quebrei uma unha... Foi a sua unha, naquele dia que você inverteu os dois dentes da frente da minha dentadura.

<Ana> Por falar em dentadura, eu queria te perguntar uma coisa...
<Griselda> Pode dizer...
<Ana> Eu vi você e o James lá no fundo do templo. O que ele foi fazer lá?

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