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Capítulo
6
Lobo em Pele de Cordeiro

Ana
encontra uma amiga em frente ao motel.
<Shideh> E a família, como vai?
<Ana> Meu marido morreu e minha filha é uma louca drogada.
<Shideh> A minha família é ao contrário, ha, ha, ha.
<Ana> Ah claro, sua família é perfeita.
<Shideh> Não, minha filha morreu e meu marido é um drogado. Nasceu
também minha netinha, ela é a minha cara.
<Ana> Não faz mal, o importante é que tenha saúde.
<Shideh> Não entendi, mas não sou tão velha assim, ha, ha, ha.
Deixa eu ir, preciso comprar gasolina sem imposto.
Ana se despede de Shideh, agindo normalmente. Em seguida aparece
Alexandre.

<Ana>
Oi amor... Uma amiga minha passou agora aqui na frente. Tive que disfarçar...
Você não disse que este lugar era seguro?
<Alexandre> Claro que é. Só tem marginal e prostituta...
<Ana> Ah, então está explicado a razão dela ter passado aqui.
<Alexandre> Estava com tanta saudade minha oncinha, faz tanto tempo
que a gente não se vê...
<Ana> É mesmo, desde hoje de manhã...
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Os dois entram no motel e vão
até uma das suítes.

<Ana>
Tenho muitas coisas para contar... Recebi uma ameaça da Dulce Castilho,
aquela cantora de rádio que foi namorada do Carlos Henrique...
<Alexandre> Sei...
<Ana> Estou muito assustada... Soube que ela faleceu há 10 anos atrás...
<Alexandre> Muito estranho...
<Ana> A Griselda disse que isso era coisa do além e vai me levar
num tal de Templo da Eternidade para me purificar.
<Alexandre> Eu não acredito nestas coisas, mas é bom você ir para
agradar a velha...
<Ana> Será que ela morreu mesmo? Eu preciso ter essa confirmação...
<Alexandre> Vou pensar em alguma solução... Ah, trouxe minha
agenda?
Ana entrega a agenda para Alexandre. Ele telefona para o banco. |
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Enquanto isso, na casa dos
Steinberg, Clara fica aguardando uma resposta de Bruno e da Criada.

<Clara>
Puxa, ninguém diz nada? O que vocês estavam fazendo?
<Bruno> É que... eu estava agarrando, quer dizer, ajudando a
Criada...
<Clara> Por quê?
<Bruno> Ela... ela estava com falta de ar e fiz respiração boca a
boca.
<Criada> É isso mesmo, o seu Bruno salvou minha vida. Eu podia ter
morrido...
<Clara> Nossa... e a língua vai junto?
<Bruno> A língua está presente em todos os momentos da nossa vida.
Ela sempre nos acompanha...
<Criada> Por exemplo, a língua do seu Bruno acompanha o mau hálito
dele...
Clara acredita em tudo. |
No motel, Alexandre recebe a
confirmação do gerente do banco de que a chave do cofre não está
guardada lá.
<Alexandre> Pois é, agora temos que fazer uma busca geral por esta
chave. Não faço a mínima idéia de onde ela possa estar.
<Ana> Chega de falar de chave e de cantora brega...
<Alexandre> É mesmo minha oncinha...
<Ana> Vem cutucar sua onça com vara curta, vem...

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No apartamento de
Alexandre, Yara explica para os amigos o que encontrou.
<Yara> Eu vi nestes papéis que o meu coroa tava dando altos prejuízo
do caramba na empresa.
<Zezinho> Soh...
<Yara> Ele fez uns lances malucos e melou todos os esquema dos negócio.
<Mariazinha> Soh...

<Yara>
Então o Alexandre deve ter matado o velho por causa disso. É fogo na
bomba!
<Pedrinho> Issa!
<Yara> Não muda de assunto.
<Sandrinha> Soh...
<Yara> Também encontrei um monte de copos... Acho que ele é alcoólatra.
<Zezinho> Soh... |
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Na Steinberg & Associados,
Lucas aproveita a ausência do chefe para se divertir.

<Dóris>
O que você está fazendo na internet? Está vendo foto de mulher pelada?
<Lucas> Não...
<Dóris> Seu maricas!
<Lucas> Entrei em um fórum daquele jogo The Sims. Conheci um velho
feio, desdentado e gordo que usa o apelido de Kakazinha.
<Dóris> Eu também conheci um velho feio uma vez. Me apaixonei...
Era o Carlos Henrique...
<Lucas> Já arrumou a sala da gaveta proibida?
<Dóris> Sim, coloquei tudo de volta. Menos a minha colherinha de
café e seus bichos de estimação.
<Lucas> Será que o chefinho vai perceber?
<Dóris> Acho que não, ele nem percebeu naquela vez que jogamos
golf aqui dentro. E olha que a bolinha foi parar dentro do copo de uísque
dele.
Alexandre chega ao escritório sem cumprimentar ninguém e vai para sua
sala. Logo depois chama Lucas e Dóris.

<Alexandre>
Bem, como vocês já devem saber, o Carlos Henrique deixou o testamento no
cofre na casa dele. E ele escondeu a chave. Portanto, precisamos encontrá-la.
<Lucas> Oba, adoro mexer nas coisas.
<Alexandre> Você não... Tenho outro serviço... Passe na casa dos
Steinberg e pegue uma pá. Depois vá até o cemitério e procure o túmulo
da Dulce Castilho. Cave até encontrar o caixão e veja se ela está mesmo
lá dentro.
<Lucas> O quê? Eu não acredito...
<Alexandre> Olha aqui, estagiário não tem que ter opinião
nenhuma. É melhor você fazer isso ou vou esconder a cafeteira...
<Dóris> Não... Tudo menos isso...
<Lucas> Tá bom, mas como é essa Dulce?
<Alexandre> Eu imagino que ela seja atualmente um monte de ossos...
<Lucas> Melhor assim...
Alexandre telefona para Bruno, avisando que entrou em contato com o banco
e a chave não estava lá. Bruno se encarrega de procurar a chave na casa
dos Steinberg. |
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Em outro cômodo, Clara
assiste televisão.

<Clara>
Vovó, as pessoas da televisão são muito doentes?
<Griselda> Por que essa pergunta Clara?
<Clara> É porque elas sempre estão fazendo respiração boca a
boca.
Griselda ri do comentário da neta e confirma, em tom de ironia. Ana chega
em casa cantarolando.
<Griselda> O que foi Ana? Viu passarinho
verde?
<Ana> Não, foi de outra cor...
<Griselda> Até parece que esqueceu que está sendo ameaçada por um
espírito...
<Ana> Tinha que lembrar isso? Eu começo a ficar descontrolada
quando penso nessas coisas...
<Griselda> Você conhece a terapia do instinto?
<Ana> Nunca ouvi falar...
<Griselda> É assim... Toda vez que você ficar muito irritada,
lembre dos instintos animais que estão dentro de você e imite ações
selvagens para liberar sua energia.
<Ana> Onde você leu isso?
<Griselda> Foi a Clara que viu na televisão e me explicou outro
dia, enquanto fazia xixi no meu pé. Eu mesma fui cavar uma toca lá fora
para evitar o stress...
James interrompe a conversa.

<James>
Senhora, o Lucas veio buscar uma pá e eu a entreguei.
<Ana> Certo...
<James> Um policial também telefonou antes e pediu para deixar um
recado. Ele disse que o tiro que matou o senhor Carlos Henrique saiu de
uma arma calibre 45.
<Ana> Nossa, finalmente descobriram alguma coisa. Acho que a polícia
está evoluindo, daqui a pouco vão estar com inteligência quase igual a
ratos de laboratório.
<James> Senhora, eu posso sair para resolver alguns assuntos
pessoais?
<Ana> Está bem, mas vai pela sombra... |
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No andar de cima, Bruno e a
Criada procuram a chave do cofre no quarto de Ana.

<Bruno>
Onde pode estar esta chave?
<Criada> Olha, talvez dentro do colchão... Eu, pelo menos, escondo
meu dinheiro lá e ninguém nunca encontrou. Ou dentro do próprio
cofre... Seria um ótimo lugar...
<Bruno> Talvez embaixo do tapete da porta de entrada... Ou no
freezer...
<Criada> Quando a gente vai se casar e ser feliz para sempre?
<Bruno> Calma, primeiro precisamos encontrar a chave...
<Criada> Sabe, estive pensando... Agora que vamos namorar acho que
vou começar a depilar as duas pernas... |
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Bem longe dali, Lucas chega ao
cemitério. Ele procura o túmulo de Dulce Castilho.

<Lucas>
Onde ela pode ter sido enterrada? Espera aí, por que eu estou falando
sozinho?
Depois de algum tempo o estagiário finalmente encontra e começa a cavar.
Um vulto, atrás de uma árvore, o observa. |
Enquanto isso, Yara chega ao
escritório. Ela encontra Dona Dóris.
<Yara> Cadê o mongol do Alexandre?
<Dóris> Ele está lá na sala do Carlos Henrique, procurando a
chave...
Yara resmunga alguma coisa e vai em direção à sala.

<Alexandre>
Fugiu da cadeia?
<Yara> Olha aqui seu otário, eu preciso levar um lero muito sério
com tu. |
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Bem longe do escritório da
Steinberg & Associados, Ana e Griselda chegam ao grandioso Templo da
Eternidade.

<Griselda>
Eu vou te levar ao Poderoso Guru depois da apresentação anti demônio.
Ele é chefe de escoteiro também, ensina muitas coisas essenciais para
sobrevivermos.
<Ana> Com certeza... Quanto vocês pagam de dízimo?
<Griselda> Aqui ninguém paga nada... Nós doamos tudo para manter a
vida luxuosa e pecaminosa do Poderoso Guru...
As duas entram no Templo e começa a apresentação.
<Poderoso Guru> Amigos e irmãos, vamos
iniciar nossa alvorada contra o demônio. As forças do mal estão
querendo derrubar nosso espirituoso acampamento. Devemos ser puros e
transformar nossas cordas em forcas para o diabo. Sempre alerta!
<Ana> Eu estou ouvindo isso mesmo ou troquei minha aspirina por LSD?
<Griselda> Ele é muito poderoso e sábio. Impressiona as pessoas.

<Ana>
Ai... Eu vi...
<Griselda> Quem? O demônio?
<Ana> Não... A Dulce Castilho está lá na frente... |
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