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Capítulo
5
Amantes

Ana
permanece caída no chão.
<Dóris> O que vamos fazer?
<Criada> Acho que agora só dá para empalhar ou enterrar mesmo...
<Dóris> Espera aí... Acho que ela se mexeu...
<Criada> Credo! Deve ter virado um zumbi...
Dóris arrasta Ana para fora do banheiro. Ana começa a se restabelecer,
pouco a pouco. A imagem vai se formando na retina. A tontura vai
evaporando. Os movimentos do corpo retornam...

<Dóris>
Nossa... Pensei que a senhora tinha batido as botas...
<Ana> Mas eu nem uso bota... Que coisa mais cafona...
<Criada> E eu pensei que a senhora havia feito a passagem...
<Ana> Que passagem? Andar de ônibus é coisa de pobre!
<Dóris> Está se sentindo bem?
<Ana> Claro que sim... Eu desmaio de vez em quando, é muito chique.
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Enquanto isso, na biblioteca,
Clara espera uma resposta de James...

<Clara>
Vamos, responde... Por que você escondeu este papel amarelo?
<James> Bem...
<Clara> Ah, já sei... É negócio de adulto, como aquelas fitas que
o papai assistia quando a mamãe estava com dor de cabeça...
<James> É, isso mesmo...
<Clara> Então eu vou embora, a vovó diz que eu sou muito pura para
ver estas perversões... |
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No quarto de Ana, Dóris tenta
entender realmente o que aconteceu...

<Dóris>
Agora que a criada saiu, pode dizer o que houve...
<Ana> O sistema de aquecimento do banheiro estava quebrado. Quando
entrei lá não conseguia mais desligá-lo. Tentei sair, mas a porta
estava emperrada... O calor foi tão grande, fiquei sufocada e perdi os
sentidos. Nem sei o que poderia acontecer se tivesse ficado mais meia hora
lá dentro.
<Dóris> Mas isso foi um mero acidente?
<Ana> Não sei.... Alguém pode ter travado a porta de propósito...
A mesma pessoa que fez aquela ameaça...
<Dóris> Bem, preciso dizer algo importante... Eu liguei para o meu
amigo da polícia e ele confirmou que a Dulce faleceu há 10 anos atrás.
Ana desmaia. Dóris se assusta e vai socorrê-la. Ana levanta
rapidamente...
<Ana> Ah, adoro me sentir elegante... Mas o
que você disse mesmo?
<Dóris> A Dulce Castilho está morta.
<Ana> O quê?
Griselda entra no quarto.
<Griselda> Olha, isso é coisa do além. Eu
recomendo você a ir purificar seu espírito no Templo da Eternidade.
<Ana> Como você soube de tudo isso?
<Griselda> Eu estava escutando atrás da porta.
<Ana> Ah, bom... Então está explicado...
Ana tenta manter a calma, mesmo com o choque da notícia sobre a Dulce. Dóris
se despede de todos e vai embora. Griselda limpa o ouvido com o dedo
mindinho e vai tirar uma soneca no seu quarto. |
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Enquanto isso, Bruno aparece
na prisão onde está Yara.

<Yara> O
que tu tá fazendo aqui seu jumento seqüelado?
<Bruno> Fui eu que paguei sua fiança...
<Yara> É vera? Então valeu irmão irado!
<Bruno> Acho que você finalmente aprendeu sua lição.
<Yara> É fogo na bomba! Putz, tu é altos da hora mesmo.
<Bruno> Certo, então você fica me devendo essa...
<Yara> Um dia eu te pago estas parada. Mas agora vou dar uns rolé
com minha galera do mal. Devem estar atucanados sem a líder deles... Falô! |
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No outro lado da cidade, Dóris
chega ao escritório da Steinberg & Associados.

<Alexandre>
Dona Dóris, trouxe a minha agenda?
<Dóris> Ai, eu esqueci.
<Alexandre> Mas é uma incompetência mesmo! Eu tenho que resolver
tudo sozinho.
Alexandre sai bufando e quase cruza com Lucas na frente no edifício. Dóris
aproveita para tomar um cafezinho. E o estagiário chega rapidamente ao
escritório.

<Dóris>
Onde você estava? Eu disse para o Alexandre que você tinha ido catar
coquinho no asfalto.
<Lucas> Puxa... Sabia que havia esquecido alguma coisa... Deixei o
balde com os coquinhos na prisão. Eu fui lá visitar a morena de tirar o
fôlego.
<Dóris> Ai, que lindo. Me deu vontade de assistir A Noiva de Chucky
outra vez...
<Lucas> Cadê o meu peixe Odete Roitman que eu deixei aqui hoje de
manhã?
<Dóris> Cadê a colherinha do meu café? Sabe de uma coisa, eu não
agüento mais isso. O seu Alexandre não tem o direito de fazer isso com a
gente. Vou abrir a gaveta proibida.
<Lucas> O quê? Mas você não conhece a lenda? A última secretária
que mexeu lá acordou sem os rins em uma banheira com gelo.
<Dóris> Se eu ganhasse 10 centavos toda vez que ouvisse isso... Só
teria 10 centavos... E, além disso, rim não serve para nada mesmo...
Os dois vão até a sala com a misteriosa gaveta.

<Lucas>
Qual será a gaveta proibida?
<Dóris> Deve ser aquela ali com a etiqueta "Gaveta
Proibida".
<Lucas> Estou com medo...
<Dóris> Não precisa ficar assim, não tem mais ninguém no escritório...
<Lucas> Estou com medo daquela barata ali no teto.
Dóris pega uma vassoura e tenta matar a barata. |
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Enquanto isso, na casa dos
Steinberg, Ana atende o celular.

<Ana> Oi
amor... É perigoso ligar para cá. (...) Claro, ninguém pode descobrir.
Nem sei o que podem pensar... (...) Sim, anotei o endereço. Até logo.
Beijos. |
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No escritório da Steinberg
& Associados, Dóris consegue matar a barata e finalmente abre a
gaveta. Ela e Lucas encontram alguns objetos lá dentro.

<Lucas>
Puxa, então o meu peixe Odete Roitman estava aí. Junto com minha libélula
Zazá e meu sapo Sasá Mutema.
<Dóris> Minhas calcinhas desaparecidas! Eu pensei que era você que
pegava para coar café.
<Lucas> Eu só peguei uma vez. E foi para uso próprio...
<Dóris> Olha só, os meus retratos do meu fofinho, digo, do Carlos
Henrique. Eu tinha mania de fazer coraçãozinho neles...
<Lucas> Legal...
<Dóris> Mais uma calcinha minha com o nome Carlos Henrique
bordado...
<Lucas> Legal...
<Dóris> E uma arma calibre 45...
<Lucas> Nossa... Você era apaixonada pelo meu amado chefinho?
<Dóris> Como você descobriu?
<Lucas> Eu tropecei em uma cova aberta no cemitério e ouvi sua
declaração quando você foi visitar o túmulo dele...
Dóris fica com vontade de desabafar e resolve contar tudo para Lucas.

<Dóris>
E foi assim, sempre amei o fofinho, mas não tinha coragem de dizer isso
para ele. Até tentei uma vez, mas... sei lá. Acabei amando sem ele
saber. E o Carlos Henrique acabou morrendo. Estou tão arrependida...
<Lucas> Arrependida de quê?
<Dóris> É que... eu... eu derrubei cafezinho nele na última vez
que o vi... Deve ter doído.
<Lucas> Com certeza, ainda mais se foi nos países baixos. |
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A algumas quadras do escritório,
Yara conversa com sua turma em uma pequena praça.

<Yara>
Pô cambada, eu preciso me vingar daquele sacana do Alexandre, que me
cubou nas cadeia.
<Pedrinho> Soh...
<Yara> Tipo... Alguém tem uma idéia?
<Zezinho> Soh...
<Yara> Não gostei... E se a gente revirasse as casa dele como
acontece tipo naqueles filme?
<Mariazinha> Soh...
<Yara> Isso é sim ou não?
<Sandrinha> Soh...
<Yara> Poxa galera, então é essa parada que vamô faze nas onda.
Eu não seria nada sem vocês!
Yara se lembra que não sabe o endereço de Alexandre. Ela resolve
telefonar para a empresa e perguntar.

<Yara>
Alô, eu queria tipo bater um lero com aquele jojolão do Alexandre.
<Lucas> O meu chefinho não está.
<Yara> Eu só queria saber onde ele mora.
<Lucas> De onde você é?
<Yara> É... Eu sou das empresa dos cartão de crédito. A gente
quer revirar a casa dele.
<Lucas> Pensei que fosse a Yara.
<Yara> Imagina, não sou eu não...
Lucas passa o endereço do apartamento de Alexandre. |
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Enquanto isso, Bruno chega em
casa chorando, completamente arrasado...

<Criada>
O que houve?
<Bruno> Minha namorada me abandonou... Por que eu não conheço
ninguém que combine comigo? Que goste realmente de mim... Diga,
sinceramente, eu tenho algo errado?
<Criada> Claro que não seu Bruno... O senhor é muito generoso e
simpático, apesar do mau hálito...
<Bruno> Mesmo? Eu estou muito carente...
Bruno olha profundamente nos olhos da Criada e a beija intensamente. Clara
entra na cozinha para pegar um iogurte.
<Clara> O que vocês estão fazendo? |
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Bem longe dali, Yara e sua
turma invadem o apartamento de Alexandre.

<Yara>
Putz... É mó fácil subornar o calhau do porteiro com cachaça, fazer
ele desligar as câmera de vigilância e arrombar as porta do cafuá...
<Zezinho> Soh...
<Yara> Vamu então colocar nas prática o nosso planejamento estratégico.
Pedrinho deixa a porta do freezer e da geladeira aberta, para gastar
bastante luz e transformar os cubos de gelo em água. Mariazinha troca
todas as lâmpadas da casa por lâmpadas queimadas, que crueldade.
Sandrinha abre a torneira da cozinha e tampa o ralo. Ela também esconde
os rolos de papel higiênico do banheiro. Zezinho desarruma a cama e
desprograma o vídeo cassete. Yara começa a escrever palavrões à lápis
nos livros e papéis de Alexandre.
<Yara> Meu... É fogo na bomba! Vocês vão
ficar de cara com o que eu encontrei... |
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Enquanto isso, Ana chega em
lugar afastado do centro da cidade. Ela começa a esperar uma pessoa.
Passam alguns minutos. Uma mulher se aproxima...

<Shideh>
Oi querida.
<Ana> Tudo bom? |
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