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Capítulo
3
Festa de Arromba

Os
gritos de Clara ecoam pelo corredor. Griselda chega rapidamente para
socorrer a neta.
<Griselda> O que foi Clara?
<Clara> Este garoto disse que cruzou comigo.
<Griselda> O quê? Esta é uma casa de família, como você se
atreve a falar assim? E quem é você?
<Lucas> Eu sou o estagiário da empresa e vi esta morena de tirar o
fôlego na rua. Estou apaixonado.
<Griselda> Você deve ter se confundido. A Clara nunca sai de casa.
<Clara> Vó, eu estou com medo. Ele quer me agarrar.
<Griselda> Ah, mas é claro... Você deve ter visto a Yara, irmã gêmea
da Clara.
<Lucas> Ah bom...
<Griselda> Então está tudo esclarecido. Preciso ir ao banheiro..
.
Lucas
estranha a voz flácida de Griselda. Por um instante ele repara na boca
dela. Ela está sem seus dentes. Lucas começa a ficar nervoso.
<Lucas> Para que ir ao banheiro?
<Griselda> Que pergunta é essa? É para pegar minha dentadura.
<Lucas> Mas, mas não precisa... A senhora está bem assim. Sabe o
que é, tem muita gente nesta casa e alguém pode ter mexido nas coisas do
banheiro. Algumas pessoas são assim...
<Griselda> Mas é para isso que a Ana colocou uma câmera escondida
no banheiro. Ela adora ficar olhando os outros.
<Lucas> Sé-sério?
<Griselda> Estou brincando.
<Lucas> Ah bom... Mas é melhor a senhora desinfetar bem sua
dentadura, às vezes ela pode aparecer misteriosamente com gosto de
sabonete, acumulando fungos...
<Griselda> Ainda bem que não acumula vermes.
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Enquanto isso, Yara invade a
área da piscina com sua turma. Ela manda James servir bebidas para todos.

<Yara>
É isso aí galera! É fogo na bomba! Agora que a gente passou por aquele
pentelho do Alexandre vamô zuar!
Yara pega o aparelho de som e começa sua festa particular. |
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No quarto de Bruno, Ana e o
filho continuam a conversa...

<Ana>
O que foram estes gritos e o barulho lá fora?
<Bruno> Não sei mãe... Mas explica melhor esta situação da
amante do papai.
<Ana> Há algum tempo atrás, quando eu fui ao escritório do Carlos
Henrique, eu escutei uma conversa dele pelo telefone. Ele repetiu diversas
vezes a expressão "meu amor".
<Bruno> Mas quem será a amante?
<Ana> Isso eu não sei. Outra coisa que eu percebi é que alguém
marcou um encontro no parque para atrair seu pai. E essa pessoa deve ter
utilizado algum argumento forte para fazer seu pai ir até lá. E...
De repente, Alexandre interrompe a conversa.
<Alexandre> A Yara está lá fora. Ela passou
dos limites.
Ana e Bruno ficam surpresos. |
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Enquanto isso, Lucas se dirige
à cozinha.

<Lucas>
Eu tô com uma fome...
<Criada> Pega uns salgadinhos na geladeira. Era para a festa das
bodas de prata, mas o James liberou para os famintos que entram na
cozinha.
<Lucas> Ótimo! Posso levar uma trouxinha para comer amanhã no
escritório?
<Criada> Como assim?
<Lucas> É a coisa mais normal do mundo, a Dona Dóris sempre tira
bolo e empadinha da bolsa para mergulhar no café. Até o seu Carlos
Henrique fazia isso com brigadeiro.
<Criada> Ah, então é por isso que ele tinha vermes. |
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Ana e Bruno passam pela
cozinha e chegam direto na piscina da casa. Diversas pessoas conversam e
dançam. Ana fica irritada com a loucura da filha.

<Ana>
Yara Ivana, que falta de respeito!
<Yara> Vai se catar seus pereba.
<Ana> O corpo do seu pai está sendo velado na biblioteca minha
filha...
<Yara> E eu com isso... Ele tá nos quintos dos inferno mesmo, nem
ouve nossas balada.
<Bruno> É melhor você acabar com esta festa agora!
Yara se irrita e manda sua turma jogar o irmão na
piscina. A gangue carrega Bruno até a borda da piscina e o empurra na água.
Uma sirene é ouvida por todos e logo depois uma policial aparece.

<Policial>
Recebemos uma reclamação para acabar com essa farra.
<Ana> O quê? Desde quando a polícia é tão eficiente assim?
<Yara> Quem foi o mongo que chamou os tiras?
<Alexandre> Fui eu!
<Yara> Seu brocoió! Tu não manda em mim!
<Alexandre> Olha, se sua família não consegue te controlar é
melhor você passar um tempo na cadeia para pensar em tudo o que fez!
<Yara> Seu frouxo! Tem medo de me peitar, né? Tu vai se arrepender
de ter falado assim. Sacou?
Yara tenta fugir, mas é algemada a tempo pela policial.
<Policial> É para levar o resto do grupo também?
<Alexandre> Não, ela é a única culpada. É bom passar um tempo
sozinha na cadeia. |
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James, que estava vendo tudo,
vai até a cozinha.

<Lucas>
O que foi que aconteceu lá fora?
<James> A polícia prendeu a Yara, filha do seu ex-patrão.
<Lucas> Ela é a irmã gêmea da Clara?
<James> Sim senhor.
Lucas lamenta por nem ter conhecido a morena que viu na rua. James avisa
que tudo voltará ao normal e o velório deve prosseguir até o dia
amanhecer. |
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O tempo passa. Os ponteiros do
relógio apostam corrida. A lua cede lugar ao sol. Todos vão ao cemitério.
A última benção é dada e o minuto de silêncio é feito...

<Clara>
Mamãe, eu não estou entendo. O papai está enterrado ou está no céu?
<Ana> O corpo está enterrado, a alma está no céu filha.
<Clara> Ah, por isso que vocês ficaram acordados a noite toda. Para
a alma não puxar o pé de vocês.
<Bruno> Por que a senhora está chorando tanto?
<Griselda> Eu sempre me emociono em casamentos...
<Bruno> Mas isso aqui é um enterro!
<Griselda> Ah é mesmo. Então é melhor parar de gastar meus
lencinhos.
Alexandre suspira e dá um passo à frente...

<Alexandre>
Carlos Henrique Steinberg, meu grande amigo e sócio da empresa. Foi um
grande homem. Um bom pai de família, um marido exemplar, um filho
verdadeiro... Se houvessem mais pessoas como ele, de grande caráter, com
certeza tudo seria melhor. Mas uma bala no peito tirou sua vida. Decretou
seu destino... E um dia iremos descobrir quem foi o responsável por isso.
Todos se entreolham...
<Convidado> Não fui eu...
<Griselda> Nem eu...
<Clara> Mãe, que cheiro horrível é este?
<Ana> Alguém tá com a válvula de escape aberta... Bem, acho que
devemos deixar o Carlos descansar em paz. O velório e as homenagens já são
suficientes para nos despedirmos dele.
A família e os amigos vão embora. Quando a tranqüilidade espalha-se
pelo cemitério, Dóris aparece diante da sepultura de Carlos Henrique e
deixa algumas flores.

<Dóris>
Meu fofinho... É claro que eu vou me despedir de você. Nossa, o amor é
tão forte, tão grande. Nunca irei te esquecer. Tudo poderia ter sido
muito diferente. Espero te encontrar em outro lugar, outro planeta, outra
dimensão. Adeus.
Dóris tenta conter o choro, mas deixa escapar várias lágrimas. |
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Algum tempo depois Ana chega
em casa. Ela toma um banho refrescante para relaxar. Em seguida,
caminhando pelo quarto, vê o celular sobre a poltrona e verifica que há
um recado na secretária eletrônica.

Uma voz
misteriosa faz uma ameaça:
"O primeiro já foi. O próximo pode ser você."
Ana fica muito assustada, mas parece reconhecer que a voz é familiar... |
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Enquanto isso, muito longe da
casa dos Steinberg, Yara tenta se adaptar na cadeia.

<Yara>
Putz... Essa jaula é mó saco. Não tem ar condicionado, este jornal é
da semana passada e o rádio só toca música sertaneja.
Um policial entra no local e anuncia uma visita. Yara fica curiosa...
Lucas aparece no ambiente, sorridente, segurando um embrulho. |
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Enquanto isso, Alexandre e
Bruno chegam ao escritório e encontram Dóris.

<Dóris>
Por que demoraram tanto? O enterro não acabou há algumas horas?
<Alexandre> Meu carro quebrou no caminho e ficamos esperando o
pessoal da oficina mecânica terminar de consertar. Eu até tentei
telefonar avisando, mas o telefone estava sempre ocupado.
<Dóris> Bem, não sei o motivo disso... Devia estar fora do gancho.
Seu Bruno, o senhor quer um cafezinho?
<Bruno> Não obrigado, vai dar trabalho...
<Dóris> Não vai dar não, eu fiz ontem mesmo...
Bruno rejeita novamente. Alexandre chama Bruno para sua sala.

<Alexandre>
Agora que acabaram as homenagens para o Carlos Henrique nós temos um
assunto muito importante para tratar... |
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