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Capítulo
2
Sem Juízo

Yara
continua parada na sala, ameaçando Ana, Clara e Bruno.
<Ana> Você está louca minha filha?
<Bruno> Yara, se você está aqui, quem tá tomando conta do
inferno?
<Yara> Muito engraçadinhos vocês dois. Olha aqui seus estrumes, é
melhor não me deixarem na pilha... Eu só vim pedir educadamente um
treco. Eu quero um dinheiro, uma bufunfa aí, dona Ana. E agora!
<Ana> Calma Yara Ivana, guarda esta arma e a gente conversa melhor.
<Yara> Fica na moral coroa! Não vou guardar coisa nenhuma. Já
procurei o pai antes e o velho não quis me dar. Tu não vai fazer o mesmo
bode, né...
<Ana> Eu estou ficando nervosa... Olha como meu coração está
batendo...
<Yara> Se ele parar de batê tu morre, mané!
<Ana> Você quer dinheiro para ficar se drogando novamente?
<Yara> Putz... Não é isso, eu só quero a grana pra comprar droga
e tomar uns goró. Sacou?

Yara
começa a levantar o tom de voz, expressando a fúria nos seus olhos.
Clara começa a chorar. Ana fica assustada. Ela pega a carteira na bolsa e
entrega algumas notas de dinheiro para a filha.
<Yara> Finalmente. Mas vocês são uns
mulambentos mesmo. Acreditam em qualquer fuá. Essa arma aqui é legítima
do Paraguai, seus coió!
Yara joga a arma de plástico no chão e sai da
casa, feliz por ter conseguido o que queria. Clara continua chorando, sem
entender por que Yara havia feito aquilo. Ana tenta consolar a filha, mas
ela corre em direção ao seu quarto.
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No quarto,
Griselda e James concluem a conversa.

<James>
Sim senhora, deu tudo certo mesmo. Pode confiar.
Clara invade o quarto. James e Griselda disfarçam.
Clara pula na cama, ainda chorando.
<Clara> Ui! A Yara é malvada mesmo vó.
<Griselda> Fica sossegada minha neta, estou aqui para te proteger...
Griselda abraça Clara com carinho, tentando acalmá-la.
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Enquanto isso
na sala, Bruno e Ana trocam algumas idéias.

<Bruno>
A Yara só arruma confusão.
<Ana> Mas vamos esquecer ela agora. Temos que cancelar a festa de
bodas de prata de hoje à noite e fazer as últimas homenagens para o
Carlos Henrique.
<Bruno> Eu vou comunicar para todos o falecimento do papai.
Precisamos ficar calmos nesta hora.
<Ana> E eu vou ter que explicar isso para a Clara. Não sei se ela
vai conseguir entender.
Ana começa a pensar em alguma forma de dizer para a
filha que o pai faleceu. |
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No mesmo instante, no outro
lado da cidade Dóris recupera sua cota diária de cafezinho.

<Lucas>
Já terminou de beber tudo?
<Dóris> Sim... Mas fala de uma vez, quem você viu na rua?
<Lucas> Ah... Uma morena de tirar o fôlego... Ela é a criatura
mais linda que eu já vi. Mais linda que minha boneca inflável.
<Dóris> Era isso? E eu havia pensado que você tinha visto um
gnomo.
<Lucas> Eu acho que estou apaixonado.
<Dóris> Ai, que lindo. Fiquei com vontade de assistir Titanic
novamente...
Alexandre interrompe a conversa dos dois.
<Alexandre> O Bruno acabou de telefonar dando
uma triste notícia...
Ele comunica tudo o que aconteceu para Dóris e
Lucas. |
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Na casa dos Steinberg, James dá
a notícia para a criada.

<James>
O senhor Carlos Henrique faleceu.
<Criada> É mesmo? Então aquele biscoito da sorte estava certo...
<James> Podemos então parar os preparativos para a festa e arrumar
tudo para o velório.
<Criada> Mas até que é bom. Nem precisa mandar convite para as
pessoas. Os convidados que forem chegando já ficam pro velório.
James tenta rir, mas não consegue. Ele fica sério,
como permanece durante todo dia. |
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No andar superior da casa, Ana
chama Clara para uma conversa.

<Clara>
Por que a gente veio para seu quarto mãe?
<Ana> Aqui é mais sossegado.
<Clara> Cadê o papai?
<Ana> Clara, o papai não vai mais voltar.
<Clara> Ele foi viajar?
<Ana> Não, ele foi para o céu.
<Clara> O céu é muito longe?
<Ana> Sim, fica bem longe.
<Clara> Mas a gente vai visitar ele, né?
<Ana> Não, a gente não pode visitar o papai. Mas ele sempre irá
estar em nosso coração. Nunca iremos esquecê-lo.
<Clara> Eu não entendi. O papai está no céu ou está no coração?
<Ana> Clara, é só a memória dele que está em nosso coração.
<Clara> Mas ele não vai precisar da memória no céu?
Ana tenta se controlar, mas continua explicando tudo para a filha. |
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As horas passam, o dia
anoitece, a lua surge no céu. A casa dos Steinberg vai sendo invadida
pelos convidados. É estabelecido um clima de tristeza no ar. Alexandre e
Lucas também chegam ao velório.

<Alexandre>
Meus pêsames... A Dona Dóris estava com dor de cabeça e não pôde vir.
<Ana> Deve ser excesso de cafeína no sangue...
<Alexandre> Há alguma pista sobre o assassino do Carlos Henrique?
<Ana> A polícia já está cuidando do caso. Mas como eles são uns
incompetentes é claro que vai demorar ou ser arquivado.
<Lucas> Eu não sou ovo, mas estou chocado... Cadê o corpo do meu
chefinho?
Ana encaminha Lucas ao caixão de Carlos Henrique. O
estagiário fica triste e não consegue conter as lágrimas. Todos os bons
momentos voltam à sua mente, desde quando foi contratado por Carlos
Henrique. Foram ótimos momentos de horas extras, broncas incríveis por
ter chego atrasado e serviços complicados. Dias muito felizes... Lucas
começa a se descontrolar, perdendo a calma.

<Lucas>
Ah, não pode ser... O meu chefinho não morreu. Ele está vivo aí
dentro.
<Ana> Ah, sempre tem que ter um pobre para fazer escândalo no velório.
<Lucas> Levanta chefinho, levanta. O senhor não pode ter morrido.
<Ana> Ai, socorro... E ainda dizem que o bug do milênio não afetou
ninguém...
Lucas começa a balançar o caixão, berrando
palavras satânicas que havia lido na internet. Ana puxa o estagiário
para fora da biblioteca. Lucas acaba tropeçando em um vaso de flores
cheio de água e se molha. |
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James percebe a confusão e
encaminha Lucas ao banheiro no andar superior para se secar.

<Lucas>
Pode deixar, eu me enxugo sozinho.
<James> Sim senhor.
Lucas se tranca no banheiro. Ele dá uma olhada
geral pelo ambiente para saber se não há nenhuma câmera escondida
colocada por alguma alma imoral da casa. Em seguida, Lucas não consegue
conter a curiosidade e começa a mexer nas coisas. Ele encontra uma
dentadura meio amarelada.

Ele começa
a brincar com a dentadura e, sem querer, ela escorrega da sua mão e cai
no lugar mais impróprio do banheiro.
<Lucas> Puxa! Como esta água está
intoxicada. Claro que o meu chefinho tinha que deixar uns vermes afogados
de lembrança.
Lucas não sabe o que fazer. Ele começa a pensar. |
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Enquanto isso, uma gangue
chega na frente da casa dos Steinberg. Alexandre estranha o movimento e se
aproxima.

<Yara> Pô
galera, é aqui que tá tendo as festa!
<Alexandre> Era só o que faltava... Yara, o seu pai morreu.
<Yara> Sério? Eu nem tava sabendo... É fogo na bomba! Os vermes
dele devem ter finalmente morrido também.
<Alexandre> Acho que você não entendeu... Está acontecendo o velório
do Carlos Henrique na biblioteca.
<Yara> Tipo... Velório é coisa das antiga. Por que vocês não
cremam de uma vez? Pelo menos daria para usar as cinzas como tempero pra
sopa.
<Alexandre> Yara, por favor compreenda isso!
<Yara> Olha aqui, eu vim para a festa e vai ter festa! |
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No mesmo momento Ana encontra
o filho na sala, muito abatido. Ela resolve ter uma conversa com ele. Os
dois vão até o quarto de Bruno.

<Ana>
Eu sei que agora não é o momento certo, mas preciso contar algo muito
importante para você.
<Bruno> O que foi mãe?
<Ana> Seu pai não era este santinho que todos pensam.
<Bruno> Como assim?
<Ana> Ele tinha uma amante... |
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No andar superior da casa,
Lucas finalmente sai do banheiro. Ao passar pelo corredor, ele encontra
Clara. Lucas perde o fôlego e tenta dizer algumas palavras.

<Lucas>
Você é a morena de tirar o fôlego que cruzou comigo na rua!
<Clara> O quê? Cruzou? Quem é você?
Clara se assusta e começa a gritar. |
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